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Um ano de desafios, mas com muitas oportunidades no horizonte. Esse foi o tom do evento Perspectivas 2026: Decisões Globais, Eleições no Brasil e Oportunidades Econômicas, realizado pela Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) nesta quarta-feira (25).
A segunda edição do evento reuniu executivos, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir os rumos da economia e colaboração entre a Alemanha e Brasil.
Abrindo o evento, nossa Vice-Presidente-Executiva, Barbara Konner, destacou a importância de debater os cenários para 2026, diante de um contexto global desafiador. “Nosso objetivo é que nossos associados tenham uma ferramenta a mais para tomar as suas decisões estratégicas”, afirmou. “Esse ano, inclusive, é um ano muito especial para nós, inclusive, porque a Câmara comemora 110 anos. Então, é um bom momento para refletir sobre a nossa base e, também, olhar para o futuro”, completou.
Para abrir as discussões, Alessandra Ribeiro, Sócia e Diretora da área de Macroeconomia e Análise Setorial da Tendências Consultoria, trouxe um olhar sobre as perspectivas para as relações bilaterais entre Brasil e Alemanha, considerando o cenário econômico global.
Entre os destaques, Ribeiro citou o Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia. “A gente já tem efeitos positivos do acordo para todos os signatários, mas olhando para o Mercosul, o Brasil é o principal ganhador.”
Também estiveram em pauta os impactos do ambiente político e eleitoral brasileiro sobre a confiança dos investidores e a importância do planejamento de longo prazo.
Ao abordar os desafios, ela elencou a desaceleração gradual da economia mundial, o dólar mais fraco, juros altos e, no ambiente doméstico, o crescimento mais lento da atividade econômica e o cenário fiscal. Mas há otimismo ao abordar as oportunidades. “A gente vê os efeitos positivos da reforma tributária sobre o consumo, e setores como setor industrial sendo beneficiados, além de um cenário bastante construtivo para infraestrutura, setores extrativo e agropecuário”, afirmou.
Ainda durante o encontro, um painel de discussão aprofundou o debate e trouxe análises sobre as perspectivas das companhias alemãs no Brasil. Eduardo Gastón Diaz Perez, Vice-Presidente da AHK São Paulo, e CEO e Presidente na Robert Bosch América Latina abordou a resiliência da economia brasileira. “São tarifas, inflação, juro, geopolítica. E o Brasil cresce com um juro real de 11 pontos. Cresce 3%, 2%. A resiliência dessa economia é impressionante. Nesse ambiente, o Brasil venceu”, afirmou.
O executivo também abordou a importância da retomada das discussões em torno do Acordo para Evitar a Bitributação entre Brasil e Alemanha (ADT). “Se falarmos de Índia, China ou México, todos têm acordo de dupla tributação com Alemanha. Então, cada vez que a gente concorre com um projeto no México ou na Índia, começamos 200 metros atrás”, exemplificou. Segundo Gastón, os avanços no acordo UE-Mercosul podem ser positivos para a discussão, inclusive, do ADT.
“Eu acho que o momento agora é bom para a conversa e para encontrar uma solução, porque para as empresas alemãs no Brasil afeta significativamente a competitividade”, finalizou.
Pensando nas perspectivas, Frederico Lamego, Superintendente de Relações Internacionais na Confederação Nacional da Indústria (CNI) quer encerrar 2026 celebrando. “O nosso objetivo como CNI é criar uma agenda de influência para garantir que o acordo (UE-Mercosul) já esteja totalmente aprovado até abril”, afirmou. “E se for para celebrar, são duas coisas: o acordo da União Europeia e o acordo de dupla tributação até o final do ano. Seriam grandes marcos.”
Ao longo da conversa, CEOs e presidentes também destacaram os principais vetores que devem orientar as decisões empresariais neste ano.
“No caso da HARTING, existe um foco muito grande de crescimento nas Américas. E por que Brasil? Bom, eu sou brasileira, e acredito que nós desenvolvemos um perfil profissional que se adapta muito rapidamente às mudanças e às instabilidades”, afirmou Poliana Lanari, Managing Director Latin America na HARTING. “Nossa ideia é transformar, inclusive, a nossa operação no Brasil em um polo, não só para a América Latina, mas para todo mundo de soluções complexas de baixo volume. Porque nós temos um grupo de profissionais que se adequa muito facilmente a novas tecnologias e muito bem treinados”, finalizou.
Svenja Ahlburg, Chief Sales Officer Region Americas & Vice President Latin America na Wilo Group, comentou a evolução da companhia no Brasil, em poucos anos. “A Wilo chegou aqui em 2013, começou como um escritório. Hoje, fabrica produtos aqui com 55% de componente local em algumas linhas de produto, e isso permitiu que a gente conseguisse aumentar a competitividade”, disse. “Eu gostaria de celebrar esse modo América Latina, e que ele se repita em investimentos de empresas alemãs no Brasil. Seja de novas empresas ou de empresas que já estão aqui.”
O Brasil também é um mercado prioritário para a PHOENIX CONTACT. “A gente tem um mercado robusto e uma indústria diversificada que torna esse mercado muito importante para a companhia”, disse Cesar Almeida, Managing Director da empresa. “A gente tem uma indústria hoje baseada em dados. Quando a gente fala em data center, talvez 60, 70% do negócio seja dirigido para o Brasil, falando do mercado da América do Sul. São 17 bilhões de dólares para data centers e é um investimento que vai dobrar nos próximos dois anos”, afirmou.
O ambiente foi positivo para construção de parcerias e na identificação de oportunidades estratégicas. E o clima predominante foi de que, apesar dos desafios, o Brasil assume protagonismo no radar das empresas alemãs. Não à toa o país mantém o título de único país na América Latina com o status de parceiro estratégico para o país europeu.
