Publicidade

Últimas Notícias Acontece Câmara Empresas Energias Renováveis Eventos Meio Ambiente
4 de março de 2026

Transição energética: Oportunidades e desafios são tema de debate na Câmara Brasil-Alemanha, em parceria com a FCR Law

Por Natália Perez

Nenhuma imagem disponível na galeria.

Foto: Natália Perez.

Os desafios e oportunidades no setor de energia foram tema de debate na Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo), em parceria com o escritório de advocacia FCR Law, na terça-feira (03). O objetivo do evento “O Futuro do Setor de Energia: Desafios, Custos e Oportunidades” é estabelecer um espaço de diálogo qualificado entre empresas e especialistas para a análise e busca por soluções ligadas à diversificação da matriz elétrica e redução de impactos ambientais.

Dividido em três painéis, a discussão que contou com a participação de 60 presentes abordou a realidade brasileira a partir de diferentes perspectivas, abordando desafios regulatórios e trazendo análises das operações de empresas alemãs em funcionamento no país.

“A aliança entre Brasil e Alemanha funciona não só na Câmara, mas pode funcionar muito bem no setor de energia. A Alemanha está enfrentando esse desafio energético desde a guerra da Ucrânia e o Brasil tem muita energia para oferecer, é uma power house”, comentou Marcelo Coimbra, Sócio da FCR Law, durante o discurso de abertura.

Somente em 2025, segundo o Ministério de Minas e Energia, 76% da geração centralizada de energia do país teve origem em fontes renováveis. Embora a energia solar lidere o crescimento, as termelétricas, parques eólicos e térmicas de biomassa apresentaram contínua expansão.

No primeiro painel, sob o tema “Reformas do Setor Elétrico e Impacto na Tarifa de Energia”, Yuri Schmitke, Sócio da FCR Law e Presidente da Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (ABREN), afirmou que o Brasil ainda tem muito potencial não explorado no setor, principalmente na ressignificação de resíduos: “O setor de resíduos gera muito gás de efeito estufa. Basicamente, um terço dos gases de efeito estufa do mundo é metano e um terço do metano vem dos aterros, que podem ser convertidos em outras tecnologias pela separação mecânica, assim desviamos os resíduos do aterro e reduzimos muito essas emissões de metano. Além da agropecuária que representa 92% do potencial do biogás no Brasil.”

Também participaram do debate Leonardo Caio, Diretor de Tecnologia e Regulação da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN) e Alexei Vivan, Presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE).

Schmitke, que moderou o painel, destacou pontos importantes das questões regulatórias. “Sabemos que a regulação tem um tripé técnico, econômico e jurídico. O (programa) Combustível do Futuro, que foi aprovado há dois anos, está sendo regulamentado entre esse ano e ano que vem. Vai ser combustível sustentável de aviação com injeção de até 10% em 10 anos obrigatório nos aviões. E o biometano que vai ser injetado no gás natural, 10% em 10 anos. Começa esse ano com 1%. São políticas públicas que vão mudar a nossa matriz energética de um modo geral”, contemplou Schmitke.

Com moderação de Coimbra, o painel seguinte tratou das “Novas Soluções Energéticas”. Bruno Esperança, Desenvolvimento de Novos Negócios da PlanET; Caio Pandolfi, Head de Inovação da Siemens Energy Brasil e Caio David, Diretor de desenvolvimento de negócios do Bmg Energia, compartilharam suas experiências e trouxeram cases de sucesso em implementação no Brasil.

“Vemos a transição energética com alguns vetores e oportunidades de negócio e entendemos o desafio de como modelar esse negócio para gerar riqueza para o País. Olhamos para a transição energética como uma operação a ser aplicada no Brasil, para o Brasil e uma contribuição global”, afirmou David.

A Bmg Energia modelou cerca de cinco hubs de transição energética com a dedicação de aproximadamente 60 mil hectares de áreas próprias, seguindo vertentes diferentes de aptidão para empreendimentos de transição energética. O representante ainda exemplificou: “Com a sinergia e o agrupamento desses vetores, consigo ter um ganho financeiro de, pelo menos, 10% na minha última linha do resultado econômico, um ganho na modelagem que é resultado de sinergia, de integração de operações e de um modelo financeiro eficiente que vai me trazer um player de produção energética.”

No painel final, o enfoque foi para o “Tratamento de Resíduos e Energia” com Antonio Bolognesi, Presidente do Conselho da Associação Brasileira de Energia de Resíduos (Abren); Henrique Filgueiras da STADLER; Vinícios Munhoz, CEO da SUTCO e Neudi Mosconi da Mele Biogás.

Schmitke, da FCR Law, afirmou que ainda há muitos desafios, e que é preciso buscar investimentos públicos e privados em infraestrutura.“A meu ver, ainda tem muita coisa a ser endereçada no setor elétrico para que tenhamos sustentabilidade econômica e financeira para conseguir aí ter um crescimento efetivo”, opinou. Para ele, porém, onde há desafio, há oportunidade. “O Brasil só utiliza 5.7% do potencial de biogás, ou seja, a gente pode crescer 20 vezes com potencial mapeado hoje. Então podemos chegar a ser quase uma Arábia Saudita de produção de biocombustíveis. São mais de 500 bilhões de investimento em biocombustíveis”, finalizou o advogado.

Compartilhe:

Artigos relacionados