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Economia Empresas Mercado Pesquisa
5 de março de 2026

PwC: Quatro em cada dez CEOs de Varejo e Consumo migraram para novos setores nos últimos anos

Por Redação Brasil-Alemanha News

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Foto: Pixabay

O setor de varejo e consumo no Brasil demonstra que está em alinhamento com o movimento de reconfiguração econômica global. Nos últimos cinco anos, 42% das empresas do setor passaram a competir em novos setores, como rotas adjacentes de expansão. Os dados estão no recorte setorial da 29ª edição da Global CEO Survey, pesquisa que ouviu mais de 4.400 líderes empresariais de 95 países, incluindo o Brasil.

Esse movimento está alinhado com a reconfiguração econômica global (42%). Embora expressivo, o percentual das empresas de Varejo e Consumo ainda está abaixo da média brasileira geral (51%), indicando que o setor pode estar adotando inovações de forma mais seletiva.

“A fronteira entre indústrias está desaparecendo. Quando 4 em cada 10 dos CEOs do setor afirmam que passaram a abrir novas avenidas de crescimento, observamos que o varejo vem se transformando em um ecossistema ainda mais diversificado”, explica Luciana Medeiros, sócia e líder de Varejo e Consumo da PwC Brasil.

O movimento de reinvenção dos negócios também está alinhado aos temores e ameaças apontados pelos CEOs do setor. Para 42% dos executivos no Brasil a falta de mão de obra, a inflação e a instabilidade macroeconômica seguem como principais preocupações. Em seguida, aparecem os riscos cibernéticos e a disrupção tecnológica, ambos com 30%, reforçando a prioridade sobre a continuidade operacional.

Tensão no Ar

O estudo mostra o ambiente de cautela no setor de varejo e consumo no Brasil, quando revela um recuo de 51% para 39% na confiança dos executivos em relação ao crescimento de receita das próprias empesas nos próximos doze meses. No horizonte de três anos, o comportamento é mais estável. A confiança dos executivos do setor de varejo e consumo cresce gradualmente, de 47% em 2024 para 49% em 2025 e 48% em 2026, mantendo-se em faixa relativamente constante.

Também chama a atenção a forma como a agenda dos líderes do setor de varejo e consumo no Brasil está nesse momento orientada ao curto prazo, com parcela majoritária do tempo (62%) dedicada a temas com horizonte inferior a um ano. A proporção é superior à média nacional (57%). De acordo com Luciana Medeiros, esta concentração reflete um cenário de curto prazo desafiador  e  tende a estreitar o espaço para discussões mais estratégicas do médio e longo prazo, ainda que o setor mantenha uma presença relevante desses temas menos imediatos .

Impactos da IA

A Inteligência Artificial (IA) também atravessa um estágio de consolidação na indústria de Varejo e Consumo. Enquanto 34% das empresas do setor registraram aumento de receita atribuído ao uso de IA nos últimos 12 meses, a maioria das empresas ainda considera o impacto pequeno, seja em custos (55%) ou em receitas (66%). Um sinal, segundo Luciana Medeiros, de que o setor ainda passa por um estágio de adaptação à nova tecnologia, tendência que pode se consolidar nos próximos anos.

Em comparação com o conjunto das indústrias no Brasil, o setor apresenta um padrão bastante alinhado, sugerindo que a adoção de IA segue uma trajetória semelhante à da média nacional.

Inovação e confiança

A inovação de negócios e de tecnologia no setor de varejo e consumo aparece como um eixo estratégico relevante, mas com sinais de execução ainda seletivos. Pouco mais da metade dos líderes a enxerga como componente crítico da estratégia, um percentual próximo à média brasileira, o que indica alinhamento conceitual sobre sua importância, ainda que a tradução desse consenso em práticas mais amplas seja desigual.

A pesquisa também aponta que a incorporação de riscos climáticos à tomada de decisão ainda é concentrada em poucos processos. A área de cadeia de suprimentos e compras é o setor que mais se destaca, onde 30% das empresas possuem processos definidos para avaliar riscos climáticos, superando a média Brasil (18%).

Em contrapartida com a questão climática o teste rápido de novas ideias com clientes ou usuários finais ainda é baixa (18%), inferior à média nacional de 28%.

“O varejo sente o impacto climático diretamente na gôndola e na entrega, o que explica por que o setor lidera a média nacional na gestão de riscos climáticos na cadeia de suprimentos. No entanto, a reinvenção completa exige mais: precisamos levar essa maturidade operacional para a mesa de investimentos, onde a integração de critérios climáticos na alocação de capital ainda é incipiente”, finaliza Luciana Medeiros.

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