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11 de setembro de 2026

Conexão Eurocâmaras ESG: Acordo UE-Mercosul reforça oportunidades para cadeias de valor mais sustentáveis

Por Wagner Maciel

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Foto: Edna Marcelino

Inovação, sustentabilidade e integração de cadeias de valor foram apontadas por lideranças empresariais e institucionais como elementos centrais para a competitividade entre Brasil e Europa. Reunidos em São Paulo, nessa quinta-feira (10), durante o Conexão Eurocâmaras ESG, representantes do setor privado e de entidades internacionais discutiram de que forma descarbonização, rastreabilidade, eletromobilidade e soluções baseadas na natureza estão redefinindo estratégias de negócios e ampliando oportunidades de cooperação entre os dois mercados.

Em um cenário marcado pelo avanço das discussões em torno do acordo entre União Europeia e Mercosul e pela crescente pressão por modelos de desenvolvimento mais sustentáveis, os debates evidenciaram que a competitividade das empresas passa cada vez mais pela capacidade de combinar inovação, transparência, descarbonização e resiliência. Ao longo da programação, especialistas e executivos compartilharam experiências e iniciativas voltadas à construção de novos modelos de negócios capazes de gerar valor econômico, ambiental e social.

Em parceria com a Eurocâmaras, a Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) esteve presente nas discussões, sendo representada pela Dra. Claudia Bärmann Bernard, Diretora Executiva Administrativa e Jurídica da AHK São Paulo, e por Bruno Vath Zarpellon, Diretor Executivo de Desenvolvimento de Negócios da AHK São Paulo.

Foto: Edna Marcelino

Bernard moderou o painel “Perspectivas e Diálogos do Setor Privado”, abrindo os debates ao lado de Sheila Pieroni, Vice-Presidente de Tributos e Compliance da Bosch para a América Latina; Flavio Maeda, Diretor de Serviços Digitais para América Latina na Afry; e Rodrigo Simonato, Public Affairs da Tereos. A executiva da AHK São Paulo ressaltou a importância de aproximar o setor privado e lideranças institucionais em um momento marcado pela entrada em vigor do acordo entre União Europeia e Mercosul. Também destacou a relevância das discussões sobre competitividade, inovação e integração das cadeias produtivas. Segundo ela, as Eurocâmaras reúnem mais de 5 mil empresas europeias no País, responsáveis pela geração de mais de um milhão de empregos diretos, números que reforçam o peso da cooperação econômica entre Brasil e Europa e a importância do diálogo sobre competitividade, investimentos e integração produtiva.

Na ótica da iniciativa privada, um dos principais benefícios do Acordo entre União Europeia e Mercosul está no potencial de ampliar a eficiência das operações e facilitar a integração das empresas brasileiras às cadeias globais de valor. Para a painelista Sheila Pieroni, a redução da complexidade operacional associada ao comércio internacional pode gerar ganhos relevantes para empresas de diferentes portes. “Quando a gente passa a ter a chance de manter a nossa integração na cadeia global sem a necessidade de estruturas complexas para atingir esse objetivo, ficamos muito mais eficientes. Para as pequenas e médias empresas, isso pode representar uma oportunidade ainda maior de participação nas cadeias globais”, afirmou.

Foto: Edna Marcelino

Uma visão integrada das cadeias produtivas também foi um ponto central na fala de Bruno Zarpellon, da AHK São Paulo, durante a moderação do painel “Inovação em Cadeias Éticas e Transparentes”. “Hoje, uma empresa, para ser sustentável, precisa ter uma cadeia de valor sustentável. A relação entre empresas e fornecedores deixou de ser apenas comercial para se tornar cada vez mais colaborativa”, afirmou. Segundo Zarpellon, a complexidade regulatória e as crescentes exigências relacionadas à rastreabilidade, certificações e governança têm ampliado a importância do desenvolvimento conjunto de fornecedores e da construção de relações de longo prazo.

O debate reuniu Rodolfo Viana, Diretor da Fundação Eco+ da BASF; Gisele Piola, da área de Supply Chain Management da Siemens; Maria Augusta Bottino, Diretora de Sustentabilidade da Alpargatas; e Ana Paula Alvarenga, Diretora de Compras da Bosch. Em comum, os participantes defenderam que a sustentabilidade das cadeias produtivas depende cada vez mais da capacidade de mensurar impactos, garantir rastreabilidade de dados e apoiar a evolução dos fornecedores. Temas como governança, economia circular, transparência, conformidade regulatória e desenvolvimento conjunto das cadeias de suprimentos foram apontados como elementos centrais para ampliar a competitividade empresarial e atender às novas demandas do mercado global.

Competitividade, ESG e integração Brasil-Europa

A integração entre competitividade, inovação e sustentabilidade foi apontada como um dos principais desafios para as empresas diante das transformações econômicas e regulatórias em curso. Durante a abertura do evento, Rafael Segrera, Vice-Presidente de ESG da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB-SP) e Presidente da Schneider Electric para a América do Sul, destacou que as organizações precisarão transformar a agenda ESG em oportunidades de crescimento. Em complemento, Cyrille Bellier, Líder da Comissão de Bioeconomia, Agronegócio & Sustentabilidade e Diretor Executivo da Rever Consulting e Utopies, defendeu que a complementaridade entre Brasil e Europa pode impulsionar avanços em áreas como descarbonização, rastreabilidade e desenvolvimento de cadeias de valor mais resilientes.

Foto: Edna Marcelino

Em sua primeira agenda pública no Brasil como Embaixador da União Europeia (UE) no Brasil, Francisco André defendeu que o acordo entre o bloco europeu e o Mercosul inaugura uma nova etapa da cooperação econômica entre as regiões. Para o diplomata, a iniciativa amplia oportunidades para empresas dos dois lados do Atlântico. “O acordo entre União Europeia e Mercosul cria uma oportunidade para ampliar empregos, investimentos e a integração de cadeias de valor entre os dois blocos, promovendo uma agenda baseada em previsibilidade, confiança e desenvolvimento sustentável”, declarou.

Como exemplo prático dessa agenda, José Borges, Diretor de Estratégia e Inovação da Siemens, apresentou durante o pitch case Tech4Amazonia iniciativas voltadas ao uso de tecnologia para apoiar o desenvolvimento sustentável da Amazônia. A apresentação reforçou como inovação, digitalização e colaboração entre diferentes atores podem contribuir para a geração de impacto socioambiental positivo e para o fortalecimento de cadeias de valor mais sustentáveis.

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