Nenhuma imagem disponível na galeria.

A Bayer inaugurou na quinta-feira (16), em São José dos Campos (SP), uma caldeira de biomassa que substitui o gás natural como principal fonte para geração de vapor da planta, reduzindo em cerca de 40% as emissões de CO₂ da unidade em relação a 2019 — ano-base da meta de descarbonização da companhia. A troca de um combustível fóssil por uma fonte renovável é a contribuição da operação brasileira ao compromisso global da Bayer, alinhado aos padrões da SBTi (Science Based Targets initiative), de alcançar a neutralidade de carbono nas emissões de Escopo 1 e 2 até 2030.
A solução foi escolhida após cinco anos de estudos e é operada pela Ecogen Brasil, empresa que também foi responsável pelo investimento e pela instalação da nova infraestrutura. A decisão tem também um racional de competitividade: ao reduzir a dependência de combustíveis fósseis, a operação fica menos exposta à volatilidade de preços do mercado de energia, ganhando previsibilidade no longo prazo.
Para assegurar o abastecimento ininterrupto, a biomassa reciclada responde por no mínimo 96% da geração de vapor ao longo do ano. Com essa matriz operando em sua capacidade contratada, a redução estimada de emissões equivale a retirar mais de 5 mil veículos de passeio das ruas por ano. Para essa comparação, foi utilizada como referência a Greenhouse Gas Equivalencies Calculator da EPA (Environmental Protection Agency ou Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos), que adota um fator médio de até 4,6 toneladas de CO₂ por veículo de passeio por ano.
“O combate às mudanças climáticas requer esforços coletivos de toda a cadeia. A Bayer, historicamente, tem a sustentabilidade como um dos seus principais pilares estratégicos e contribui globalmente com soluções inovadoras e iniciativas ligadas à transição energética”, afirmou Ligia Izzo, Vice-Presidente de Operações da Divisão Agrícola da Bayer para a América Latina.
O projeto materializa a economia circular em escala industrial ao transformar cavaco de madeira reciclada e resíduos da indústria madeireira em energia. Ao contrário do gás natural, que extrai carbono fóssil do subsolo, a biomassa é uma fonte de carbono neutro, pois aproveita o carbono já existente no ciclo biológico, evitando a adição de novos gases de efeito estufa à atmosfera.
A origem do combustível é 100% documentada, em conformidade com a Lista Brasileira de Resíduos Sólidos aprovada pelo IBAMA, garantindo o rastreio por meio de fornecedores homologados. O sistema opera com filtros de manga que asseguram emissões de material particulado inferiores a 30 mg/Nm³, índice abaixo do exigido pela legislação, aliado a um monitoramento contínuo dos gases de exaustão.
Segundo Felipe Albuquerque, Diretor de Sustentabilidade da Bayer na América Latina, a governança deste projeto é tão importante quanto a engenharia. “Nos baseamos em um sistema no qual cada pedaço de madeira tem sua origem verificada, garantindo que estamos de fato transformando um resíduo em energia renovável. É a sustentabilidade aplicada à cadeia de suprimentos, com rastreabilidade e integridade”.
A iniciativa coincide com dois marcos históricos da companhia: os 130 anos de atuação da Bayer no Brasil e os 50 anos da unidade de São José dos Campos. A fábrica é um polo estratégico para a produção de produtos de proteção de cultivos da empresa. O momento reflete a decisão de acelerar a transição energética local, transformando uma operação complexa em um modelo de indústria sustentável, competitiva e inteligente.
