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Diante da incerteza econômica e da volatilidade da confiança industrial, a Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) reuniu representantes da indústria e do setor financeiro nesta quinta-feira (5) para discutir como manter projetos de modernização e expansão em períodos de menor previsibilidade. Realizado em parceria com a Deutsche Leasing, o encontro abordou os efeitos do cenário macroeconômico sobre as decisões de investimento e as alternativas de financiamento de longo prazo para projetos industriais.
Na abertura, Lucila Junqueira Machado, Diretora de Assuntos Associativos da AHK São Paulo, apresentou a atuação da Câmara Brasil-Alemanha junto a diferentes setores da indústria. Com aproximadamente 1.000 empresas associadas em suas quatro unidades no País, responsáveis por cerca de 10% do PIB industrial brasileiro, a instituição mantém proximidade com os desafios enfrentados pelo setor. Essa relação orientou o debate sobre garantias de crédito à exportação, investimentos em capital e as demandas de pequenas e médias empresas.

Michael Sobl, Global Head of Export Finance da Deutsche Leasing, afirmou que o Brasil representa um mercado estratégico para a instituição. As operações apresentadas oferecem prazos de pagamento que variam, em geral, entre cinco e dez anos e permitem organizar os desembolsos conforme o investimento realizado e o retorno esperado pela empresa brasileira. Christian Lenz, Underwriter e Analista de Riscos da Euler Hermes, explicou que a instituição administra as garantias de crédito à exportação do Governo Federal alemão e avalia os riscos econômicos e políticos das operações. O financiamento é concedido por instituições financeiras, como a Deutsche Leasing, e não diretamente pelo governo alemão. Em situações previstas no contrato, a garantia pode cobrir até 95% das parcelas.
Cenário econômico exige planejamento de longo prazo
Marcelo Gazzano, Economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, apresentou as perspectivas para a economia brasileira. Em sua análise, apontou a desaceleração da atividade econômica, o elevado endividamento das famílias e os desafios da política fiscal entre os fatores de atenção para os próximos anos. Segundo Gazzano, a dívida pública brasileira se aproxima de 83% do Produto Interno Bruto e representa um dos principais pontos de preocupação para a sustentabilidade das contas públicas e a confiança dos mercados.
Gazzano também abordou os impactos dos juros elevados nos Estados Unidos sobre as economias emergentes. No ambiente doméstico, o endividamento das famílias limita o consumo e contribui para a desaceleração do crescimento. Apesar dos desafios de curto prazo, o Economista apontou a reforma tributária como um possível impulsionador da produtividade e da atividade econômica brasileira nos próximos anos.
Marcelo Festucia, Managing Director do Banco Deutsche Sparkassen Leasing do Brasil, relacionou o cenário econômico ao planejamento dos investimentos empresariais. Ele ressaltou a dificuldade de elaborar planos de longo prazo em um ambiente sujeito a mudanças frequentes nas condições econômicas e nas taxas de juros. Para o executivo, acompanhar os ciclos do mercado ajuda as empresas a se prepararem para oportunidades de investimento mesmo em períodos de maior incerteza.
Financiamento alemão apoia ampliação da capacidade produtiva

O painel reuniu Caroline Herrmann, Sales Manager da Deutsche Leasing no Brasil e responsável pelo canal German Desk; Christian Lenz; Renato Macedo, empresário dos setores portuário, de comércio exterior e de equipamentos para movimentação de cargas; e Carlos Alberto Stein, Fundador da BN Papéis. Os participantes discutiram os critérios de acesso às garantias de crédito à exportação, os prazos de financiamento e as condições para estruturar projetos de investimento.
Caroline explicou que o acesso à modalidade depende das características do projeto e da capacidade de pagamento da empresa, não apenas de seu porte ou segmento de atuação. Os equipamentos financiados devem atender aos critérios de conteúdo alemão aplicáveis à operação. A Deutsche Leasing trabalha com financiamentos a partir de 2,5 milhões de euros, com prazos definidos conforme o projeto e o perfil da empresa. As operações podem adotar taxas prefixadas ou pós-fixadas, cuja escolha deve considerar as condições financeiras e a capacidade de planejamento de cada companhia.
Como exemplo prático, Carlos Alberto Stein apresentou a experiência da BN Papéis na aquisição de equipamentos para modernizar sua unidade industrial em Benedito Novo, Santa Catarina. O projeto BN 2027 tem potencial para ampliar a capacidade produtiva em 60%. Com o desenvolvimento de produtos de maior valor agregado, a fabricante estima dobrar o faturamento até 2030 ou 2031. Para viabilizar o investimento, a empresa optou pelo financiamento estruturado pela Deutsche Leasing e considerou, entre os fatores da decisão, a relação comercial já existente entre a instituição financeira e o fornecedor alemão dos equipamentos. Para Stein, acompanhar o mercado, ouvir clientes e fornecedores e reconhecer o momento adequado para investir são fatores que influenciam a competitividade.
