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2 de junho de 2026

Câmara Brasil-Alemanha promove debate sobre letramento político como ativo estratégico para as empresas

Por Wagner Maciel

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Foto: AHK São Paulo

A contínua polarização política somada ao ano eleitoral no Brasil desperta uma questão em grande parte do empresariado: qual deve ser o posicionamento das empresas e colaboradores nesse cenário? A resposta a essa pergunta foi trazida à tona nesta terça-feira (02) na Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo), durante o encontro “Letramento político no ambiente corporativo”.

Ao perceber a importância da temática dentro da agenda de responsabilidade social das empresas, especialmente no âmbito de governança e fatores sociais do ESG, a AHK São Paulo forneceu apoio às empresas associadas trazendo um debate qualificado e cases de sucesso em letramento político. Para guiar o debate e compartilhar experiências, estiveram presentes Humberto Dantas, Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e Diretor-Presidente do Movimento Voto Consciente; Arnaldo Landi, Diretor-Fundador da Engeform; Bruno Zani, Gerente de Comunicação Corporativa da Boehringer Ingelheim; e Leonardo Maurity, Diretor de Relações Governamentais também da Boehringer Ingelheim.

Na abertura, Stephanie Marcucci Viehmann, Diretora Executiva de Relações Institucionais e Associativas da AHK São Paulo, destacou a relevância de se debater esse tema no ambiente laboral, que reúne pessoas com repertórios, experiências e visões de mundo distintas. “Esse é um espaço importante de troca, onde saber discutir temas mais complexos, como política, de forma qualificada e respeitosa é crucial para a convivência e para a construção de uma cultura organizacional saudável”, pontuou.

Por que evitar o assunto não é a solução?

A discussão de conceitos fundamentais e exemplos práticos de letramento político no contexto corporativo foi promovida a partir da experiência de profissionais envolvidos na implementação desse tipo de iniciativa em ambientes empresariais. Humberto Dantas abriu a conversa com uma breve retrospectiva sobre a educação política no País.

Responsável por levar esse assunto a diversas empresas no Brasil, Dantas trabalha com o tema no âmbito do combate à desinformação e do incentivo à participação cidadã ativa, indo muito além do simples ato de votar a cada eleição. Em sua visão, o letramento político é mais do que uma ação de responsabilidade social. “É um ativo estratégico, pois prepara melhor as organizações para defender seus interesses de forma transparente e qualificada”, afirmou.

Durante sua apresentação, Humberto dissipou a ideia de que política e empresa não se conversam. Ao contrário: ele explicou que o letramento político ajuda a consolidar uma cultura organizacional mais responsável, alinhada a princípios de ética, participação e relacionamento qualificado com o setor público. “Precisamos formar pessoas que representem minimamente a ideia de que a política exige tanto cuidado quanto qualquer outra área da sociedade”, pontuou Dantas.

Outro ponto destacado foi a necessidade de diferenciar claramente o letramento político de qualquer tipo de posicionamento ou direcionamento ideológico. De acordo com o especialista, a proposta dessas ações é ampliar a compreensão sobre o funcionamento das instituições e qualificar a participação cidadã, e não influenciar escolhas individuais. “Existe uma agenda própria, voltada à formação e ao entendimento, que precisa ser preservada para evitar ruídos e riscos reputacionais”, observou.

Um exemplo claro dessa conservação de reputação está na Boehringer Ingelheim, que implementou diretrizes no âmbito do letramento político a fim de preservar o respeito e a cooperação entre os colaboradores. Essas ações tiveram como principais ferramentas de alcance produções audiovisuais e uma cartilha que norteia a companhia em seu procedimento e orienta os profissionais da fábrica a como agir com relação ao tema, estimulando a reflexão.

“Para a Boehringer Ingelheim, discutir letramento político no ambiente corporativo é, acima de tudo, uma agenda institucional. Somos uma empresa com décadas de atuação e entendemos que a reputação — construída ao longo de muitos anos — depende diretamente da coerência entre o nosso propósito e as práticas internas. Em um contexto em que colaboradores também representam a companhia, inclusive fora do ambiente de trabalho, é fundamental garantir alinhamento sobre responsabilidades e impactos”, afirma Bruno Zani, Gerente de Comunicação Corporativa da empresa.

Arnaldo Landi, Diretor-Fundador da Engeform, também aplicou mecanismos de educação política em sua empresa. Foi no ano de 2018, após identificar uma lacuna de desinformação e divisão, que Landi implementou a iniciativa de abordar política de maneira planejada, com apoio do Movimento Voto Consciente.

Segundo ele, a educação política serviria como uma solução para os desafios vindos das discussões, problemas que não poderiam ser ignorados tendo em vista o risco que oferecia à operação e ao bem estar da equipe. O resultado das discussões e palestras voltadas ao que ele chama de “formação integral do cidadão” foi êxito. “Conseguimos criar um ambiente saudável de diálogo na Engeform, e isso graças a compreensão e posicionamento que tivemos”, destacou. A empresa criou até mesmo um perfil nas redes sociais para trazer conteúdo específico sobre esse tema para seus colaboradores.

“Como cidadãos, não podemos ignorar todo o ambiente conflituoso ao nosso redor. Se temos por volta de 40 milhões de colaboradores apenas na categoria CLT no Brasil, como seria se cada empresa contribuísse um pouquinho com esse aprendizado? Certamente o resultado seria enorme”, afirmou.

“O mundo social, o mundo corporativo e as relações políticas dentro do nosso país vão estar cada vez mais complexas. E vai estar melhor preparado quem adotar a educação política como um tema dentro da empresa”, concluiu Landi.

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