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Inovação, sustentabilidade e integração de cadeias de valor foram apontadas por lideranças empresariais e institucionais como elementos centrais para a competitividade entre Brasil e Europa. Reunidos em São Paulo, nessa quinta-feira (10), durante o Conexão Eurocâmaras ESG, representantes do setor privado e de entidades internacionais discutiram de que forma descarbonização, rastreabilidade, eletromobilidade e soluções baseadas na natureza estão redefinindo estratégias de negócios e ampliando oportunidades de cooperação entre os dois mercados.
Em um cenário marcado pelo avanço das discussões em torno do acordo entre União Europeia e Mercosul e pela crescente pressão por modelos de desenvolvimento mais sustentáveis, os debates evidenciaram que a competitividade das empresas passa cada vez mais pela capacidade de combinar inovação, transparência, descarbonização e resiliência. Ao longo da programação, especialistas e executivos compartilharam experiências e iniciativas voltadas à construção de novos modelos de negócios capazes de gerar valor econômico, ambiental e social.
Em parceria com a Eurocâmaras, a Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) esteve presente nas discussões, sendo representada pela Dra. Claudia Bärmann Bernard, Diretora Executiva Administrativa e Jurídica da AHK São Paulo, e por Bruno Vath Zarpellon, Diretor Executivo de Desenvolvimento de Negócios da AHK São Paulo.

Bernard moderou o painel “Perspectivas e Diálogos do Setor Privado”, abrindo os debates ao lado de Sheila Pieroni, Vice-Presidente de Tributos e Compliance da Bosch para a América Latina; Flavio Maeda, Diretor de Serviços Digitais para América Latina na Afry; e Rodrigo Simonato, Public Affairs da Tereos. A executiva da AHK São Paulo ressaltou a importância de aproximar o setor privado e lideranças institucionais em um momento marcado pela entrada em vigor do acordo entre União Europeia e Mercosul. Também destacou a relevância das discussões sobre competitividade, inovação e integração das cadeias produtivas. Segundo ela, as Eurocâmaras reúnem mais de 5 mil empresas europeias no País, responsáveis pela geração de mais de um milhão de empregos diretos, números que reforçam o peso da cooperação econômica entre Brasil e Europa e a importância do diálogo sobre competitividade, investimentos e integração produtiva.
Na ótica da iniciativa privada, um dos principais benefícios do Acordo entre União Europeia e Mercosul está no potencial de ampliar a eficiência das operações e facilitar a integração das empresas brasileiras às cadeias globais de valor. Para a painelista Sheila Pieroni, a redução da complexidade operacional associada ao comércio internacional pode gerar ganhos relevantes para empresas de diferentes portes. “Quando a gente passa a ter a chance de manter a nossa integração na cadeia global sem a necessidade de estruturas complexas para atingir esse objetivo, ficamos muito mais eficientes. Para as pequenas e médias empresas, isso pode representar uma oportunidade ainda maior de participação nas cadeias globais”, afirmou.

Uma visão integrada das cadeias produtivas também foi um ponto central na fala de Bruno Zarpellon, da AHK São Paulo, durante a moderação do painel “Inovação em Cadeias Éticas e Transparentes”. “Hoje, uma empresa, para ser sustentável, precisa ter uma cadeia de valor sustentável. A relação entre empresas e fornecedores deixou de ser apenas comercial para se tornar cada vez mais colaborativa”, afirmou. Segundo Zarpellon, a complexidade regulatória e as crescentes exigências relacionadas à rastreabilidade, certificações e governança têm ampliado a importância do desenvolvimento conjunto de fornecedores e da construção de relações de longo prazo.
O debate reuniu Rodolfo Viana, Diretor da Fundação Eco+ da BASF; Gisele Piola, da área de Supply Chain Management da Siemens; Maria Augusta Bottino, Diretora de Sustentabilidade da Alpargatas; e Ana Paula Alvarenga, Diretora de Compras da Bosch. Em comum, os participantes defenderam que a sustentabilidade das cadeias produtivas depende cada vez mais da capacidade de mensurar impactos, garantir rastreabilidade de dados e apoiar a evolução dos fornecedores. Temas como governança, economia circular, transparência, conformidade regulatória e desenvolvimento conjunto das cadeias de suprimentos foram apontados como elementos centrais para ampliar a competitividade empresarial e atender às novas demandas do mercado global.
Competitividade, ESG e integração Brasil-Europa
A integração entre competitividade, inovação e sustentabilidade foi apontada como um dos principais desafios para as empresas diante das transformações econômicas e regulatórias em curso. Durante a abertura do evento, Rafael Segrera, Vice-Presidente de ESG da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB-SP) e Presidente da Schneider Electric para a América do Sul, destacou que as organizações precisarão transformar a agenda ESG em oportunidades de crescimento. Em complemento, Cyrille Bellier, Líder da Comissão de Bioeconomia, Agronegócio & Sustentabilidade e Diretor Executivo da Rever Consulting e Utopies, defendeu que a complementaridade entre Brasil e Europa pode impulsionar avanços em áreas como descarbonização, rastreabilidade e desenvolvimento de cadeias de valor mais resilientes.

Em sua primeira agenda pública no Brasil como Embaixador da União Europeia (UE) no Brasil, Francisco André defendeu que o acordo entre o bloco europeu e o Mercosul inaugura uma nova etapa da cooperação econômica entre as regiões. Para o diplomata, a iniciativa amplia oportunidades para empresas dos dois lados do Atlântico. “O acordo entre União Europeia e Mercosul cria uma oportunidade para ampliar empregos, investimentos e a integração de cadeias de valor entre os dois blocos, promovendo uma agenda baseada em previsibilidade, confiança e desenvolvimento sustentável”, declarou.
Como exemplo prático dessa agenda, José Borges, Diretor de Estratégia e Inovação da Siemens, apresentou durante o pitch case Tech4Amazonia iniciativas voltadas ao uso de tecnologia para apoiar o desenvolvimento sustentável da Amazônia. A apresentação reforçou como inovação, digitalização e colaboração entre diferentes atores podem contribuir para a geração de impacto socioambiental positivo e para o fortalecimento de cadeias de valor mais sustentáveis.
