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Na última quinta-feira, 19, foi realizado o Fórum de Encerramento do D4iD (Deep Techs for Industry Decarbonization), iniciativa da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) em parceria com o Cubo Itaú e executada pela Emerge Brasil, que, ao longo de cinco meses, mapeou e impulsionou startups de base tecnológica (deep techs) voltadas à descarbonização industrial.
Para além do networking, o fórum de encerramento organizado na sede do Cubo Itaú permitiu compartilhar os resultados do programa e deu visibilidade a cases de sucesso construídos na jornada. Outro destaque do evento foi a ciência brasileira como chave para a competitividade global e a sustentabilidade industrial, tema explorado a partir da ênfase na atuação conjunta das entidades envolvidas.
Consolidado como um elo estratégico entre a produção científica e o mercado, o D4iD teve como foco o desenvolvimento e o lançamento de soluções que reduzam a pegada de carbono na indústria. As descobertas e resultados do projeto lançam luz sobre uma segunda edição, que buscará ampliar ainda mais o conhecimento acadêmico com os desafios de negócio.
Por partir de uma filosofia de inovação aberta, a iniciativa conecta deep techs a grandes corporações e investidores, permitindo a validação de tecnologias de ponta em cenários reais.
“Além da inovação aberta, também seguimos à risca a atuação em rede. A complementaridade desses atores garante que não tenhamos apenas uma turma bacana para fazer um projeto, mas uma estrutura capaz de otimizar investimentos e amortizar riscos”, afirmou Bruno Vath Zarpellon, Diretor Executivo de Desenvolvimento de Negócios da AHK São Paulo.
Zarpellon defende que, assim como existem problemas que impactam toda uma cadeia de valor, a atuação em rede surge como uma resposta para empresas e cadeias que buscam soluções na temática da transição energética.
A ideia também é apoiada por Fernando Paraiso, Diretor de Inovação e Sustentabilidade da AHK São Paulo, que, ao refletir sobre os aprendizados do D4iD, afirmou que a aproximação de ecossistemas é o caminho para a construção de programas bem-sucedidos no campo da inovação e para relações mais produtivas entre empresas.
O Diretor acrescentou que boa parte das experiências vivenciadas já está servindo de base para a elaboração de uma segunda edição do D4iD. “O know-how que as deep techs trazem ao mercado é algo totalmente diferente graças ao embasamento científico e à facilidade que elas têm de falar a linguagem do mercado. Queremos agora nos aproximar das áreas de negócios das companhias para criar conexões que gerem valor entre elas e as áreas de inovação”, destacou.
A experiência marcou também a Coordenadora de Sustentabilidade, IA e Iniciativas Transversais no Cubo Itaú, Jana Maria Silva, que foi veemente ao dizer: “foi um dos melhores programas de que já participei, muito graças às companhias que se dispuseram a dialogar com a equipe para que alcançassem êxito no projeto”, afirmou. “O resultado do D4iD nos deixa muito orgulhosos porque tivemos a possibilidade de resolver problemas de alta complexidade das empresas. Sinto que a gente acabou de colocar mais um tijolinho em uma construção que faz muito sentido para o futuro da sociedade, da sustentabilidade e do desenvolvimento da indústria”, pontuou.
Daniel Pimentel, Sócio-diretor da Emerge Brasil, trouxe à tona a importância de mapear cuidadosamente as dores da indústria em um programa como o D4iD, já que, cada vez mais, as indústrias têm se comprometido com a pauta da sustentabilidade. “Nosso foco é justamente conectar governo, indústria, academia, startups e investidores para fazer com que a pesquisa saia da bancada e chegue ao mercado com uma lógica estruturada de escala. Quando a gente parte de grandes problemas das indústrias e combina isso com um mapeamento profundo do ecossistema de deep tech no Brasil, o caminho se torna mais eficiente. Com esse trabalho, sistematizamos desafios em setores prioritários, como o agronegócio regenerativo e a bioindústria, criando uma base mais concreta para gerar parcerias, contratos e escalar tecnologias com aplicação real”, declarou.
Observando o mercado brasileiro, percebe-se que as startups de base científica formam uma onda crescente devido ao seu caráter multissetorial. Por isso, para Luana Moraes, Estrategista de Inovação na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, pensar na descarbonização sem considerar as deep techs é se limitar ao incremental. “Com essas companhias, engenharia e investimentos, temos novas rotas tecnológicas e competitividade legítima na economia verde”, disse.
Luana ressaltou que, embora o Brasil tenha muitos fundos de investimento na América Latina, poucos estão focados nesse tipo de empresa. O trabalho do ecossistema, segundo ela, deve ser voltado à criação de cases no mercado, a fim de tornar a indústria brasileira mais competitiva e a sustentabilidade industrial um diferencial do país.
José Folha, Gerente de Desenvolvimento de Produtos da Festo, empresa de automação alemã e associada da AHK São Paulo, contou, durante a apresentação de um case, como o D4iD foi um catalisador importante para a forma como a Festo enxerga a inovação internamente. “Ao longo do programa, tivemos contato com diferentes empresas, startups e realidades que trouxeram provocações muito práticas para o nosso dia a dia. Muitas vezes, ao ouvir desafios de outros setores, percebíamos que eram dores que também existiam internamente e que ainda não tinham sido claramente identificadas. Esse ambiente de troca estruturada acelerou nosso aprendizado e nos ajudou a enxergar oportunidades de inovação de forma mais ampla e conectada com o mercado”, finalizou.
Foto: Natália Perez (AHK São Paulo)
