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O futuro financeiro de muitas mulheres na Alemanha é incerto. Elas enfrentam uma dupla lacuna previdenciária: não apenas recebem pensões estatais significativamente menores que os homens, como também investem menos e com mais hesitação em previdência privada. Essa é uma das principais conclusões do Retirement Provision Report 2025, apresentado pelo Deutsche Bank e DWS no final do ano passado.
As causas desse desequilíbrio estão enraizadas em estruturas sociais e profissionais de longa data. Mulheres trabalham em regime de meio período com muito mais frequência (49% contra 12% dos homens) e costumam tirar licenças parentais mais longas. Somado à diferença salarial de gênero, isso resulta em contribuições significativamente menores ao sistema público de aposentadoria.
Com pensões públicas mais baixas, a previdência privada torna-se ainda mais importante. No entanto, a desigualdade persiste. Embora as mulheres percebam o risco — 67% temem depender de benefícios sociais na velhice, contra 55% dos homens — essa consciência raramente se traduz em ação. Os motivos são frequentemente emocionais:
Medo e sensação de sobrecarga:
- 59% das mulheres sentem “medo” ao pensar em previdência (vs. 48% dos homens).
- Para 71%, os produtos são complexos demais; 67% sentem-se sobrecarregadas.
Falta de autoconfiança:
- Apenas 21% das mulheres se consideram bem informadas sobre produtos financeiros (vs. 41% dos homens). Muitas temem tomar decisões erradas (71% vs. 60%).
- Percepção de inacessibilidade: 68% acreditam não poder arcar com a previdência privada (vs. 59% dos homens).
Estado civil, separação e emprego:
- Homens casados fazem provisões completas com mais frequência (22%) que mulheres casadas (15%).
- O divórcio amplia a diferença: 18% dos homens divorciados fazem provisões completas, contra apenas 10% das mulheres divorciadas.
Mulheres empregadas e autônomas poupam em níveis semelhantes. No total, apenas 49% das mulheres possuem algum produto de previdência privada, contra 57% dos homens.
O comportamento de investimento mais avesso ao risco também contribui para a desigualdade. Embora ambos os gêneros prefiram produtos de seguro, homens investem com maior frequência em soluções de mercado de capitais, com maior potencial de retorno.
Consequências:
- Apenas 19% das mulheres utilizam planos de poupança em ETFs (vs. 35% dos homens).
- Apenas 16% investem em ações ou planos de poupança em ações (vs. 34% dos homens).
Isso reduz os retornos ao longo do tempo e reforça a lacuna previdenciária. A saída: aconselhamento funciona, mas é pouco utilizado
Mais da metade das mulheres (57%) deseja maior apoio em decisões financeiras e 78% consideram o aconselhamento essencial. Ainda assim, 62% nunca tiveram uma conversa de orientação financeira. O estudo mostra que esse é um dos instrumentos mais eficazes: 57% das mulheres que receberam aconselhamento posteriormente contrataram um produto de previdência.
“Os números são um alerta. Não basta apelar à urgência. Precisamos levar a sério as barreiras emocionais e eliminá-las”, afirma Anna Pfau, em evento Female Finance realizado pelo banco em março, em Frankfurt.
Julia Hilgers acrescenta: “Nosso objetivo é incentivar as mulheres a assumirem o controle de seu futuro financeiro — com produtos compreensíveis e portas de entrada simples, como planos de poupança.”
O estudo conclui que as mulheres precisam menos de novos produtos e mais de planejamento financeiro simples e acessível. O maior impacto vem da redução de medos, da simplificação da linguagem financeira e do fortalecimento da confiança por meio de aconselhamento personalizado. Quando segurança (prioridade para 59% das mulheres) e clareza (49%) são garantidas, a probabilidade de ação aumenta significativamente.
Sobre o Retirement Provision Report 2025
A pedido da Deutsche Bank e da DWS, o instituto de pesquisas Civey entrevistou online 3.200 pessoas entre 18 e 65 anos, entre 25 de agosto e 5 de setembro de 2025. Os resultados foram ponderados por características sociodemográficas para refletir a população como um todo.
