Nenhuma imagem disponível na galeria.

A Embaixadora da Alemanha no Brasil, Dra. Patricia Flor, participou, em 29 de outubro, da reunião da Diretoria da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo), realizada após a edição do AHK Business Lunch com a diplomata. O encontro reuniu lideranças empresariais para discutir as perspectivas das relações econômicas entre Brasil e Alemanha e as oportunidades de ampliar investimentos em áreas como digitalização, descarbonização, infraestrutura, agronegócio e minerais críticos.
Ao comentar a presença histórica das empresas alemãs no mercado brasileiro, Dra. Patricia Flor destacou a importância dessa trajetória como base para novas iniciativas. “As empresas alemãs começaram a investir no Brasil há mais de 100 anos. Essa é uma base muito forte para olharmos para o futuro”, afirmou. A Embaixadora também ressaltou o apoio alemão ao acordo entre União Europeia e Mercosul, o interesse estratégico em minerais críticos e terras raras e a importância das negociações de um Acordo para Evitar a Dupla Tributação entre Brasil e Alemanha.
Os resultados da AHK Business Survey apresentados por Barbara Konner, Vice-Presidente Executiva da AHK São Paulo, reforçaram as perspectivas positivas das empresas em relação ao mercado brasileiro. . Entre as empresas consultadas, 90% avaliaram a situação atual dos negócios como boa ou satisfatória, 65% projetaram crescimento das vendas e 82% afirmaram que pretendiam investir no País nos 12 meses seguintes.
“As empresas alemãs continuam confiantes no Brasil e seguem investindo, embora de forma mais seletiva e com foco crescente em produtividade e estabilidade”, afirmou Konner. A pesquisa também identificou desafios relacionados ao ambiente macroeconômico, citado por 61% das empresas, e à estabilidade política e regulatória, mencionada por 44%. Aproximadamente metade das organizações relatou dificuldades para contratar profissionais especializados, sobretudo em engenharia, pesquisa e desenvolvimento e tecnologia da informação.

Produtividade passa por dados, inovação e profissionais qualificados
A incorporação de novas tecnologias foi um dos eixos centrais dos debates setoriais.
No agronegócio, na indústria farmacêutica e na manufatura, os participantes discutiram como a inteligência artificial e a organização de dados podem acelerar o desenvolvimento de produtos, aprimorar diagnósticos e ampliar a eficiência dos processos produtivos. As experiências apresentadas também evidenciaram a importância de combinar inovação tecnológica, conhecimento técnico e formação profissional.
Na saúde, Andrea Sambati, CEO da Boehringer Ingelheim, relacionou a inovação à proteção da propriedade intelectual e aos prazos regulatórios. De acordo com sua apresentação, o caminho entre a submissão de um medicamento e sua disponibilização no sistema público pode se aproximar de sete anos. A integração de prontuários médicos também representa uma oportunidade para ampliar o potencial da inteligência artificial, acelerar diagnósticos, evitar a repetição de exames e aprimorar o acompanhamento de pacientes após a hospitalização. Em um País no qual grande parte da população depende do sistema público, a integração dos dados pode contribuir para ampliar a eficiência e o acesso à saúde.
No agronegócio, Marcio Santos, CEO da Bayer Brasil, apresentou aplicações já incorporadas à atividade produtiva. Dados sobre fertilidade, umidade, relevo e produtividade permitem adaptar a aplicação de insumos às condições de diferentes áreas de uma mesma propriedade rural. Tecnologias como gêmeos digitais também podem encurtar etapas do desenvolvimento de sementes e defensivos, combinando ganhos de produtividade com o uso mais eficiente de recursos. A inteligência artificial também abre possibilidades para recuperar e aproveitar o conhecimento técnico acumulado pela indústria ao longo de décadas. Registros experimentais e documentos técnicos, muitas vezes dispersos em arquivos físicos e sistemas antigos, podem ser digitalizados e incorporados novamente ao desenvolvimento de produtos e processos industriais. O aproveitamento desse acervo representa uma oportunidade para preservar conhecimento, acelerar pesquisas e ampliar a capacidade de inovação das empresas.
A disponibilidade de profissionais qualificados foi outro tema relevante. Durante o debate, a formação de engenheiros foi apontada como fator importante para viabilizar projetos de mineração e aproveitar as oportunidades ligadas aos minerais críticos. Os participantes destacaram o potencial da cooperação entre empresas, instituições de ensino e organizações brasileiras e alemãs para aproximar a formação profissional das necessidades do mercado.
Nesse contexto, a Embaixadora Patricia Flor destacou a experiência da Alemanha com o sistema dual, que combina formação teórica e aprendizagem prática dentro das empresas, e questionou em que medida as companhias instaladas no Brasil estão preparadas para receber e formar jovens profissionais.
Energia limpa amplia oportunidades, mas expõe gargalos de infraestrutura
A disponibilidade de fontes renováveis posiciona o Brasil como um destino potencial para investimentos em infraestrutura digital e projetos industriais de menor intensidade de carbono. A expansão dos data centers, por exemplo, abre oportunidades para o País, mas também exige investimentos em redes de transmissão, sistemas de abastecimento de água e soluções de eficiência energética.
Cesar Almeida, Managing Director da Phoenix Contact, relacionou esse movimento à convergência entre digitalização, automação e descarbonização. Gêmeos digitais, redes industriais e sistemas inteligentes já permitem antecipar falhas, testar projetos antes da instalação e reduzir o consumo de energia. A competitividade ambiental dos data centers também depende da origem da eletricidade e da eficiência dos sistemas de resfriamento. Tecnologias capazes de reduzir significativamente o consumo de água podem representar um diferencial na implantação de novos empreendimentos.

Tecnologias de monitoramento, controle remoto e manutenção preditiva podem contribuir para reduzir perdas e melhorar a eficiência operacional. Esse cenário cria oportunidades para empresas alemãs, especialmente pequenas e médias companhias especializadas em soluções para infraestrutura hídrica. A ampliação dos investimentos depende, contudo, de mecanismos que permitam viabilizar projetos de maior escala e prazo de retorno mais longo.
Financiamento viabiliza projetos estratégicos
A apresentação de Marc Schieting, Director e Head of Representative Office São Paulodo KfW IPEX-Bank, mostrou o papel do financiamento internacional na viabilização de projetos ligados à indústria, energia, infraestrutura, mobilidade e matérias-primas críticas. O banco mantém uma carteira de aproximadamente US$ 1 bilhão no Brasil, concentrada em instituições financeiras, celulose e papel e mineração. A atuação costuma envolver operações superiores a US$ 50 milhões ou € 50 milhões e exige uma conexão com a Alemanha ou a Europa, por meio da exportação de equipamentos, importação de matérias-primas ou participação de fornecedores europeus.

Cooperação bilateral pode reduzir o custo de investir
A agenda apresentada pela Embaixadora Patricia Flor encontra correspondência nas oportunidades discutidas pelos representantes empresariais ao longo da reunião. O acordo entre União Europeia e Mercosul tem potencial para ampliar o acesso a mercados e criar condições mais favoráveis ao comércio e aos investimentos. A cooperação em minerais críticos abre espaço para projetos de processamento, tecnologia e diversificação das cadeias de fornecimento, enquanto um Acordo para Evitar a Dupla Tributação poderá trazer maior segurança jurídica às empresas com operações nos dois países.
