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28 de agosto de 2025

Diretoria da Câmara Brasil Alemanha se reúne com especialistas para discutir impactos das tarifas norte-americanas

Por Mariana Lumy Teixeira

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Na tarde desta quinta-feira (28), a Diretoria da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) se reuniu com jornalistas do POLITICO Europe, edição europeia do portal de notícias americano, lançado em joint venture com a editora alemão Axel Springer SE. O encontro teve como objetivo discutir os impactos gerados pelas tarifas dos Estados Unidos e seus possíveis desdobramentos na relação bilateral entre Brasil e Alemanha.

Moderado por Alexander Seitz, Presidente da AHK São Paulo e Chairman Executivo da Volkswagen para a Região América do Sul, o encontro contou com a participação de Alon Naor, Vice-Presidente da POLITICO, e dos jornalistas Douglas Busvine, Editor da POLITICO Europe com foco em Comércio e Agricultura e Ari Hawkins, repórter no POLITICO com foco em política comercial e autor do Morning Trade, um boletim diário.

Para Busvine, a situação política entre o Brasil e os Estados Unidos pode ser uma grande oportunidade de fortalecimento com a União Europeia. “A agressão tarifária de Trump está empurrando a União Europeia, e o Acordo do Mercosul pode se tornar uma vitória rápida e significativa”, afirmou.

Hawkins compartilhou que esteve presente em uma viagem de senadores brasileiros aos Estados Unidos após o anúncio de tarifas de Trump e relatou que havia um sentimento de grande desrespeito que os oficiais sentiam com a relação norte-americana e o Brasil. O jornalista vê que a reação do Brasil teve uma reação que difere das respostas de outros países, que buscam evitar uma retaliação dos Estados Unidos.

Segundo os especialistas, a dinâmica interna do Brasil difere da observada em outros países da região, já que Trump utiliza as tarifas sobretudo como instrumento de poder político no cenário global, sem considerar de forma consistente as especificidades domésticas ou contextos que não envolvem interesses diretos dos Estados Unidos.

Sobre o Acordo entre União Europeia e Mercosul, Hawkins vê a instabilidade do cenário brasileiro como uma possível dificuldade para o acordo. Ele destacou, contudo, que o interesse da União Europeia é de que o acordo seja ratificado ainda neste ano.

Pela perspectiva das empresas alemãs situadas no Brasil, Seitz complementou a importância de que as empresas que não serão fortemente afetadas pelas novas tarifas também se preocupem com a mitigação dos efeitos, uma vez que, “Mesmo sem sermos afetados diretamente, nossos stakeholders sentirão esses efeitos em 6 ou 12 meses. Também precisamos mitigar esses impactos”.

Essa preocupação se reflete de forma consistente entre os membros da Diretoria de entidade. Uma pesquisa foi realizada com os participantes para avaliar as áreas impactadas, mapeando oportunidades nos diferentes setores, levantando como o Brasil poderá reagir perante as novas taxações e de que maneira a relação entre o País e a Alemanha é vista nesse contexto. Para 46% dos respondentes, as tarifas não possuem um impacto direto nas relações de negócios e dentre as áreas afetadas, a maior preocupação são estratégias de investimento e expansão. Por outro lado, 46% dos executivos entendem que as tarifas dos Estados Unidos podem trazer um fortalecimento das parcerias com a Alemanha e União Europeia e 54% acredita que deva haver um investimento e maior alinhamento na relação bilateral, enquanto apenas 27% não vê oportunidades relevantes. Em geral, o “tarifaço” de Trump é visto como um fator negativo para as empresas alemãs em questão de futuros investimentos.

Dr. Holger Rapior, Cônsul-Geral Adjunto do Consulado Geral da República Federal da Alemanha em São Paulo contribuiu com a discussão apresentando o ponto de vista do Governo alemão sobre a situação tarifária do Brasil e uma perspectiva do cenário político alemão.

Ele compartilhou dados do relatório do Departamento Federal de Estatística, que afirma que a Alemanha passa por momento de recuo de produção industrial, incerteza da política econômica, diminuição de investimentos, aumento da inflação e do índice de desemprego, mesmo após uma melhora geral do cenário desde 2024.

A reunião contou também com a apresentação dos novos membros da Diretoria Executiva da AHK São Paulo. A instituição anunciou recentemente uma nova estrutura organizacional. Com ela, os novos pilares estruturais estão divididos entre as áreas Administrativa e Jurídica, que fica sob a condução da Dra. Claudia Bärmann Bernard; a área de Desenvolvimento de Negócios que é administrada por Bruno Vath Zarpellon; e a área de Relações Institucionais e Associativas que é conduzida por Stephanie Marcucci Viehmann.

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