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11 de maio de 2026

Distância de conflitos e segurança energética apoiam confiança de empresas alemãs na América do Sul, aponta estudo da DIHK

Por Wagner Maciel

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Foto: Freepik

O cenário econômico global de 2026 registra uma interrupção na trajetória de recuperação que se desenhava no final do ano passado. Segundo o relatório AHK World Business Outlook Spring 2026, elaborado pela Câmara de Comércio e Indústria Alemã (DIHK, em sua sigla em alemão) com base na percepção de mais de 4.500 empresas alemãs, o conflito no Oriente Médio reintroduziu incertezas severas nas cadeias de suprimentos e nos custos de produção.

Embora o sentimento geral seja de cautela, com 32% das empresas prevendo uma defasagem econômica global nos próximos doze meses, os dados revelam uma fragmentação geográfica significativa. Enquanto a Europa e partes da Ásia lidam com o impacto direto da instabilidade, a América do Sul apresenta indicadores de resiliência que contrastam com a média mundial.

A confiança das empresas alemãs em suas localizações na União Europeia recuou, com o saldo de expectativas caindo de 21 para 16 pontos. Mercados como Hungria (-3 pontos) e Itália (6 pontos) refletem uma postura defensiva do empresariado.

O principal vetor de risco identificado é o preço da energia. Atualmente, 46% das companhias alemãs operando no exterior consideram os custos energéticos um risco crítico para os negócios, o que representa mais do que o dobro do registrado no outono de 2025. Esse choque de custos, somado à fragilidade logística em rotas como o Estreito de Ormuz, tem freado planos de investimento e expansão de pessoal.

Em contrapartida, a América do Sul e Central registram um saldo de confiança de 52 pontos, acima dos 47 registrados no último ano. No Brasil, o índice subiu de 41 para 51 pontos. Essa estabilidade não é atribuída a um crescimento isolado, mas a condições estruturais específicas relatadas pelas empresas na região.

A disponibilidade de fontes domésticas de energia na região atua como um redutor de danos frente à volatilidade dos preços internacionais que castiga as operações na Europa. Marcos regulatórios e comerciais elevam a perspectiva das empresas, como a aplicação provisória do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, vigente desde 1º de maio de 2026, que é citada como um fator que confere previsibilidade e segurança jurídica para as trocas comerciais.

A distância geográfica do epicentro do conflito no Oriente Médio também é citada como um fator chave, por minimizar os riscos de interrupções físicas imediatas em comparação com operações situadas na Ásia ou no Leste Europeu.

Para o empresariado alemão, a resiliência observada em mercados como o brasileiro sugere uma movimentação estratégica de diversificação. Contudo, Volker Treier, chefe de Comércio Exterior da DIHK, ressalta que o restabelecimento da confiança global dependerá de políticas que garantam mercados abertos e relações comerciais previsíveis, mitigando a atual fragmentação do ambiente de negócios.

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