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A inteligência artificial começa a ganhar espaço em atividades centrais do setor bancário, especialmente em processos que exigem análise de grandes volumes de informações e forte controle regulatório. Nesse contexto, o DZ BANK está desenvolvendo um agente de IA para apoiar as etapas preparatórias do processo de Know Your Customer (KYC), procedimento utilizado por instituições financeiras para verificar a identidade de clientes e a estrutura de propriedade das empresas com as quais mantêm relacionamento.
O projeto busca reduzir o tempo dedicado a tarefas operacionais e permitir que especialistas concentrem esforços em análises mais complexas. A previsão é que a ferramenta entre em operação nos próximos meses.
O processo de KYC exige a análise de diferentes documentos, como registros comerciais, listas de acionistas e organogramas societários. Em estruturas empresariais com múltiplos níveis de participação ou operações internacionais, a consolidação dessas informações pode exigir um trabalho extenso de verificação e cruzamento de dados.
Segundo Florian Mielke, Head do Escritório de IA do DZ BANK, o agente foi desenvolvido para assumir parte desse trabalho preparatório. A ferramenta analisa documentos, organiza informações e identifica relações societárias, reunindo os dados em uma visão consolidada acompanhada das fontes utilizadas para cada conclusão.
Apesar do uso da inteligência artificial, a decisão final permanece sob responsabilidade dos especialistas da instituição. Os profissionais revisam os resultados gerados pelo sistema, complementam informações quando necessário e validam as conclusões antes da conclusão do processo.
A experiência também levou o banco a uma constatação importante: a adoção de IA depende menos da tecnologia em si e mais da capacidade de incorporá-la a processos estruturados. A criação de agentes inteligentes pode ocorrer rapidamente, mas a manutenção da precisão, da confiabilidade e da governança exige acompanhamento contínuo.
A iniciativa reflete uma tendência crescente no setor financeiro. Em vez de utilizar inteligência artificial apenas em aplicações experimentais, os bancos passam a direcionar a tecnologia para processos considerados críticos para o negócio, combinando automação e supervisão humana. Dessa forma, a IA deixa de atuar apenas como ferramenta de produtividade e passa a integrar atividades ligadas à gestão de riscos, conformidade regulatória e relacionamento com clientes.
