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Nesta terça-feira (19), o histórico edifício-sede da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), em São Paulo, foi palco da Conferência sobre Tecnologias Avançadas para Têxteis e Nonwovens Eficientes e Sustentáveis. A iniciativa foi trazida ao Brasil pela Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) em cooperação com a Câmara Brasil-Alemanha no Rio Grande do Sul (AHK-RS), com o objetivo de debater a inovação nesse setor, bem como conectar fornecedores e apresentar oportunidades concretas de negócios.
A Conferência é parte da programação de uma missão empresarial alemã, organizada no âmbito do programa de desenvolvimento de mercados do Ministério Federal da Economia e Energia da Alemanha (BMWE na sigla em alemão), com empresas dos setores de engenharia mecânica e de instalações, com foco em máquinas têxteis e parceria com a Associação Alemã de Fabricação de Máquinas e Instalações Industriais (VDMA, na sigla em alemão).
Construído no estilo neoclássico francês, o casarão concentrou alemães e brasileiros, em sua maioria tomadores de decisão e profissionais técnicos responsáveis pelas áreas de gestão, compras, produção, manutenção e sustentabilidade, para debater novos caminhos rumo a eficiência no uso de recursos.
Na abertura, Franz Hinze, da área de Internacionalização de Empresas e Desenvolvimento de Negócios da AHK São Paulo, destacou a relação entre a cooperação tecnológica entre Brasil e Alemanha e o fortalecimento econômico promovido pelo evento. “As transformações que o setor têxtil enfrenta exigem respostas rápidas. Promover essa colaboração entre os dois países é a estratégia ideal para impulsionar a modernização da indústria e garantir o crescimento econômico sustentável de ambos os lados”, destacou.
Como uma trança depende de vários fios, o progresso da sustentabilidade no setor têxtil também exige a contribuição de múltiplos agentes. Brasil e Alemanha entenderam isso firmando um perfil de trabalho focado no êxito a longo prazo, explica Bruno Vath Zarpellon, Diretor Executivo de Desenvolvimento de Negócios da AHK São Paulo. “O Brasil oferece escala, demanda e inovação em fibras e compostos sustentáveis baseados na nossa biodiversidade. Somar essa riqueza natural à tecnologia digital e de rastreabilidade da Alemanha é o que vai ditar o futuro da indústria têxtil”, enfatizou.
Representando a VDMA, Boris Abadjieff, Head of Exhibitions, Symposia, Conferences, Exportmarketing, foi enfático ao dizer que a indústria alemã deseja contribuir com a brasileira nas principais dores do mercado, desde a eficiência de recursos e sustentabilidade até o codesenvolvimento de novos produtos.
Fabiane Wahlbrink, Chief Representative da instituição no Brasil, afirmou que o avanço do Acordo Mercosul-União Europeia é um marco, mas que sozinho não basta. “Se nós não trabalharmos juntos para estabelecer um nível comum de padrões técnicos entre as duas regiões, o acordo não se converte em prática. O nosso papel é facilitar essa harmonização para apoiar a indústria como um todo”, complementou.
O Presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e Presidente Emérito da ABIT, Rafael Cervone, concorda e salienta que, com a internalização do acordo e as exigências de medição da pegada de carbono, o cenário internacional aponta para a produção próxima ao consumidor. Segundo Cervone, o Brasil tem o know-how de todos os elos da cadeia têxtil e reúne todas as condições para se consolidar como o grande hub industrial para a América Latina.
Diante de mais de 70 participantes, 14 companhias alemãs trouxeram um olhar sobre o setor na Alemanha, bem como soluções desenvolvidas com foco em eficiência energética e diminuição dos impactos ambientais nos processos. A viabilidade prática foi demonstrada por fornecedores alemães focados na cadeia de valor. Mario Kempka, Gerente Comercial Regional da George Sahm, apresentou tecnologias avançadas de enrolamento para fios técnicos de alto desempenho, enquanto Walter Busik, Gerente Comercial Regional da Textechno, destacou soluções de testes de laboratório essenciais para a economia circular, com foco na medição e triagem de fibras recicladas. Ainda na linha do ciclo produtivo, o Senior Sales da Neuenhauser, Richard Borgers, apresentou sistemas de automação e transporte inteligente para fiações, mostrando como a eficiência energética no chão de fábrica e a eliminação de gargalos operacionais são fundamentais para ganho de flexibilidade e competitividade.
Pensando em tecelagem de precisão para materiais avançados, Oliver Meyer, CEO da Dornier América trouxe a bagagem histórica da Lindauer Dornier, destacando teares convencionais e pneumáticos 100% fabricados na Alemanha. A Gerente Comercial Regional da Herzog, Mayam Ibrahim, demonstrou a liderança da companhia em máquinas de trançar customizadas. Atendendo desde o setor médico ao aeroespacial com soluções de 1 mm a 200 mm, a empresa destacou como a inovação conjunta e a forte integração vertical impulsionam a eficiência e a segurança na fabricação de novos materiais.
O elo final da cadeia foi apresentado por Alexander Deharde, Diretor de Vendas da Beck Packautomaten, especialista em embalagens têxteis e de e-commerce. Administrada por sua terceira geração familiar, a empresa alemã destacou sua evolução tecnológica que, desde 2020, inclui soluções de embalagem em papel para reduzir o uso de plástico e apoiar a descarbonização.
A urgência por processos limpos ganhou um exemplo prático com Rick Stanford, Vice-presidente Global de Desenvolvimento de Negócios da empresa americana BW Converting. Stanford apresentou uma tecnologia disruptiva de pulverização para o acabamento e tingimento de tecidos, apontado por ele como um dos processos historicamente menos sustentáveis do setor devido ao descarte de efluentes.
Manfred Haffeneit, Gerente de Vendas Regional para a América Latina da Monforts, abordou a busca pela eficiência em grandes volumes para falar sobre o impacto de tecnologias como a máquina de tingimento contínuo Thermex — capaz de processar até 100 mil metros de tecido por dia — e as soluções de compactação para a estabilização de tecidos.
Benjamin Schnabel, Gerente Comercial Regional da Bruckner, expôs o portfólio da companhia em beneficiamento térmico, ramagens e sistemas de purificação de ar instalados no Brasil. O executivo ressaltou o foco da engenharia alemã em reduzir o consumo de gás e energia, gerando economias de longo prazo. Já Rodrigo Souza Castro da Silva, Parceiro Comercial da Körting, tratou do reaproveitamento de resíduos e detalhou sistemas capazes de recuperar a soda cáustica e subprodutos industriais. Direcionada a indústrias com grande geração de efluentes, a tecnologia limpa promete autossuficiência química e um retorno de investimento atrativo para o mercado nacional.
Dando continuidade às soluções na área de sustentabilidade, Benjamin Ziel, Gerente Geral Weko América Latina, apresentou a tecnologia de aplicação de líquidos por rotor da WEKO, que atua sem contato físico com o substrato. O sistema reduz o consumo de energia térmica em até 60% e elimina o desperdício de insumos nas trocas de cores no tingimento contínuo.
O uso da tecnologia para melhoria dos processos também foi destaque. Rafael Pedroso Moreno, Regional Sales Manager South America, elaborou uma apresentação que abordou o uso da Inteligência Artificial pela Erhardt Leimer para monitorar tecidos por câmeras, sem contato físico.
A retenção do conhecimento técnico e a eficiência operacional foram os eixos de Rafael Scheeffer, CEO da SETEX Brasil. O executivo apresentou o conceito de Smart Recipes (receitas inteligentes), que automatiza decisões químicas e padroniza processos para eliminar o desperdício, gerando um ganho de até 17% na capacidade produtiva das tinturarias.
Por fim, suporte financeiro internacional foi o tema de Jens Kruse, Gerente Sênior de Análise de Riscos para a América Latina da Euler Hermes Aktiengesellschaft, que apresentou as garantias de crédito que impulsionam o comércio bilateral. Funcionando como um seguro estatal, a ferramenta elimina exigências de pagamento à vista e viabiliza pacotes atrativos de fluxo de caixa para os compradores brasileiros modernizarem suas fábricas.
