Nenhuma imagem disponível na galeria.

Ambientes hospitalares estão entre os mais desafiadores quando o assunto é segurança do trabalho. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 2 milhões de exposições ocupacionais envolvendo materiais perfurocortantes ocorrem anualmente entre profissionais de saúde em todo o mundo. Uma revisão publicada em 2018 no International Journal of Epidemiology estimou que 44,5% dos profissionais de saúde já haviam sofrido lesões percutâneas no período de um ano.
Diante disso, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz tem estruturado um programa baseado na análise da rotina assistencial para reduzir situações de risco no dia a dia das equipes. Implantado em 2023, o programa já apresentou resultados expressivos em áreas críticas, como o centro cirúrgico. Em 2024, os registros tiveram redução de até 80% na comparação com 2022, ano anterior ao início da iniciativa.
Chamado de ON SAFETY, o programa foi desenvolvido a partir de um princípio simples: entender como, quando e por que situações de risco acontecem dentro do hospital. A partir dessa análise, a equipe de segurança do trabalho do hospital passou a implementar mudanças práticas na rotina, com acompanhamento contínuo dos profissionais nas áreas assistenciais.
A evolução ocorreu de forma consistente. Após a implantação, em 2023, os registros já apresentaram queda de 60% em relação a 2022. No ano seguinte, com o amadurecimento das ações, a redução chegou a 80%. Em 2025, o indicador se manteve em patamar reduzido, com queda de 70% frente ao período inicial. Nos primeiros quatro meses de 2026, a redução parcial registrada foi de 80%, também em comparação com 2022.
Do dado à prática: evolução contínua na gestão de riscos
O diferencial do programa está na forma como as informações da rotina são transformadas em ações práticas. A partir de iniciativas de segurança já existentes, o hospital passou a mapear detalhadamente cada ocorrência: em que momento aconteceu, qual material estava envolvido e em qual etapa do processo do cuidado o risco surgiu.
Esse acompanhamento permitiu identificar situações recorrentes e atuar diretamente sobre elas. Entre as ações estão o reforço de orientações sobre uso adequado de equipamentos de proteção, ajustes em fluxos operacionais e melhorias na organização dos ambientes assistenciais, sempre com foco em facilitar a adesão às boas práticas e tornar a prevenção mais efetiva.
Ergonomia ganha espaço na prevenção e melhora condições de trabalho
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, o Brasil registrou mais de 4,1 milhões de afastamentos do trabalho por incapacidade temporária, sendo que problemas osteomusculares, como dores nas costas e lesões de coluna, lideraram as causas.
Nesse contexto, paralelamente às ações voltadas à segurança nas áreas assistenciais, o hospital estruturou ações voltadas à prevenção desses quadros, com avaliação e adaptação dos postos de trabalho, orientação prática aos colaboradores e acompanhamento contínuo das condições ergonômicas.
Entre maio de 2025 e abril de 2026, 241 postos de trabalho foram avaliados e adequados, com intervenções que vão desde ajustes simples até melhorias estruturais. No mesmo período, treinamentos presenciais contribuíram para uma redução de aproximadamente 94% nas notificações de risco ergonômico, além da diminuição de queixas relacionadas ao posto de trabalho.
