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22 de setembro de 2026

Papel humano na era da IA é tópico central do 5º Fórum Brasil-Alemanha de Comunicação

Por Wagner Maciel

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Foto: Divulgação AHK São Paulo – Ruy Hizatugu

Em um cenário em que a Inteligência Artificial (IA) redefine processos, plataformas digitais disputam atenção em tempo real e a confiança se consolida como um dos ativos mais valiosos das organizações, a pergunta central para os profissionais de comunicação já não é mais como produzir conteúdo, mas como construir narrativas capazes de gerar conexão, significado e credibilidade.

Foi a partir dessa reflexão que partiram os diálogos promovidos na 5ª edição do Fórum Brasil-Alemanha de Comunicação, realizado pela Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) nesta segunda-feira (21).

Reunindo mais de 160 participantes no Museu do Ipiranga, em São Paulo, a edição deste ano conta com o patrocínio das empresas SIEMENS e Bosch, como patrocinadores Ouro; Allianz, Boehringer Ingelheim e Evonik como patrocinadores Bronze e Club Transatlântico como Patrocinador de conteúdo.

“Para celebrar essa edição especial, que acontece justamente no ano em que a nossa Câmara comemora 110 anos de existência, escolhemos um dos espaços mais emblemáticos do Brasil. Um local que preserva a memória, celebra a história e nos convida a refletir sobre o futuro. Eu acredito que não poderia haver cenário mais apropriado para um encontro dedicado à comunicação. Afinal, comunicar é, acima de tudo, construir pontes entre passado, presente e futuro. E, a partir daí, ajudar a construir significados”, declarou Barbara Konner, Vice-Presidente Executiva da AHK São Paulo, em seu discurso de abertura.

Foto: Divulgação AHK São Paulo – Ruy Hizatugu

Sob o tema “Novas Formas de Narrar”, o evento promoveu debates sobre reputação, cultura de marca, gestão da mudança e Inteligência Artificial, em uma programação que reuniu executivos, especialistas e profissionais de comunicação de diferentes setores.

Marcelo Tas, keynote speaker da edição, conduziu uma reflexão que acabou permeando grande parte dos debates ao longo do dia. Ao abordar os impactos da inteligência artificial sobre a comunicação, o apresentador e escritor defendeu que a tecnologia não substitui aquilo que torna pessoas e organizações singulares. “Quem não quiser ser substituído por um robô, não trabalhe como um robô”, afirmou. Para Tas, criatividade, pensamento crítico, autenticidade e capacidade de diálogo serão diferenciais cada vez mais relevantes em um ambiente marcado pela automação e pelo excesso de informação.

Foto: Divulgação AHK São Paulo – Ruy Hizatugu

Em um bate-papo conduzido por Ana Carolina Castro, Diretora de Comunicação da AHK São Paulo, Tas também defendeu que a comunicação contemporânea exige cada vez mais transparência, originalidade e capacidade de adaptação. Para ele, embora as ferramentas, plataformas e formatos continuem se transformando em velocidade acelerada, organizações e profissionais precisam concentrar seus esforços na construção de mensagens autênticas e relevantes. “Diante do excesso de informação e da disputa constante pela atenção, a capacidade de construir confiança e gerar significado se mostra um diferencial tão importante quanto o domínio das próprias tecnologias”, declarou.

Foto: Divulgação AHK São Paulo – Ruy Hizatugu

A confiança, apontada por Barbara Konner como um dos ativos mais valiosos da atualidade, esteve no centro do painel “Reputação como ativo estratégico”. Moderada pela jornalista Karina Trevizan, Editora Sênior de mercado na Platts, part of S&P Global Energy, a discussão reuniu Detlef Dralle, Diretor Presidente da HTB; Katrin Dalibor, Senior Director Sales South America & Caribbean da Lufthansa; Poliana Lanari, Diretora Geral da América Latina da Harting; e Rafael Gibini, CEO da Melhoramentos. No bate-papo, os participantes defenderam que reputação é construída a partir da coerência entre discurso e prática, da transparência diante de crises e da capacidade de manter relações de confiança com clientes, colaboradores e demais públicos de interesse.

Ao compartilhar experiências de gestão, os executivos ressaltaram que a reputação se torna especialmente relevante em momentos de pressão ou incerteza. Casos envolvendo crises operacionais, desafios de mercado e situações com potencial de impacto à imagem das empresas mostraram que respostas transparentes, comunicação consistente e ações alinhadas aos valores organizacionais continuam sendo elementos essenciais para preservar a credibilidade construída ao longo dos anos.

Foto: Divulgação AHK São Paulo – Ruy Hizatugu

Se a reputação foi apontada como um ativo construído pela confiança, o painel “Cultura como território de marca” trouxe um olhar sobre os elementos que ajudam empresas a construir conexões duradouras com seus públicos. Moderado por Flávia Fávaro, Diretora de Corporate Affairs da Boehringer Ingelheim, o debate reuniu Evandro Neves, Gerente de Eventos da Vivo; Luciana Bassan, Supervisora de Marketing e Comunicação da Waelzholz Brasmetal; e Mariana Luz, Diretora de Investimento Social Corporativo e Cultura da Vale.

Em diferentes perspectivas, os participantes defenderam a cultura como um instrumento capaz de aproximar marcas e sociedade. A discussão abordou desde a adaptação de empresas internacionais à realidade brasileira até o papel dos investimentos em patrimônio histórico, arte e desenvolvimento cultural como ferramentas de relacionamento de longo prazo. Entre os pontos destacados esteve a importância de compreender as particularidades dos territórios, valorizar diferentes vozes e construir conexões genuínas com comunidades e colaboradores.

Foto: Divulgação AHK São Paulo – Ruy Hizatugu

A capacidade de conduzir transformações também esteve no centro das discussões do painel “Comunicar a mudança”, que reuniu Adriana Sandoval, Gerente de Comunicação Corporativa da Henkel, e Kessia Soares, Gerente de Marketing & Comunicação da Aumovio, sob moderação de Fabiana Nunes, Gerente de Sustentabilidade e Comunicação Institucional da Melhoramentos. A partir de experiências distintas, como a transferência da sede da Henkel para Jundiaí e o processo de criação da identidade da Aumovio, as comunicadoras destacaram a importância da escuta ativa, da transparência e do envolvimento das lideranças na construção de processos de mudança.

A busca por atenção em ambientes digitais cada vez mais disputados pautou o painel “Do legado ao viral: novas formas de narrar”, que reuniu Augusto Vieira, Líder Médico de Consumer Health da Bayer; Daniela Carasco Fonseca, Head de Conteúdo e Estratégia da Spark; e Kemi Matos, Head of Community da MESA, ao lado de Chico Felitti, jornalista e escritor, moderador do painel. Ao discutir os desafios da produção de conteúdo para diferentes públicos e plataformas, os participantes defenderam que relevância, escuta e autenticidade continuam sendo mais importantes do que a simples busca por alcance. A conversa também abordou o papel das comunidades na construção de reputação e os limites de estratégias focadas exclusivamente na viralização.

Foto: Divulgação AHK São Paulo – Ruy HizatuguEntre os exemplos apresentados, Augusto Vieira compartilhou um caso em que a observação do comportamento dos consumidores brasileiros levou a Bayer a identificar um uso não previsto para um de seus produtos. A partir dessa leitura de mercado, a companhia desenvolveu estudos locais que acabaram influenciando novas aplicações do produto em outros países. A discussão reforçou um ponto compartilhado pelos painelistas: compreender as especificidades culturais e as demandas de cada público tornou-se um diferencial estratégico para marcas globais. Mais do que reproduzir campanhas em diferentes mercados, as empresas precisam desenvolver a capacidade de ouvir, adaptar mensagens e transformar percepções locais em oportunidades de inovação e conexão.

Encerrando a programação, a inteligência artificial voltou ao centro do debate em uma sessão dedicada às transformações da comunicação na era digital. Antes do painel, Laura Hauser, pesquisadora e especialista em comunicação e tecnologia, apresentou uma reflexão sobre os impactos da IA na produção de conteúdo, destacando que o excesso de informação não necessariamente resulta em mais comunicação. Para a especialista, comunicar envolve construir significado, provocar transformação e gerar conexão, capacidades que continuam dependentes de competências humanas como criatividade, ética, repertório e pensamento crítico.

Foto: Divulgação AHK São Paulo – Ruy Hizatugu

Na sequência, o painel “IA e as novas habilidades da comunicação” reuniu Claudia Góes, Diretora de Comunicação da Microsoft; Ellen De Paula, Gerente de Marketing e Comunicação Corporativa da Robert Bosch, e Laura Hauser, sob moderação do jornalista Helton Simões, Colunista de Tecnologia na UOL. A discussão abordou como as organizações vêm incorporando ferramentas de inteligência artificial às rotinas de comunicação, equilibrando ganhos de produtividade com a necessidade de manter contexto, supervisão humana e capacidade crítica. Apesar dos avanços tecnológicos, as participantes defenderam que atributos como interpretação, julgamento, escuta e construção de narrativas relevantes continuarão sendo diferenciais valiosos para profissionais da área.

 

 

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