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12 de janeiro de 2026

UE aprova acordo de livre comércio com Mercosul

Por Aline Tokimatsu

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Foto: Reprodução Agência Brasil

Depois de 25 anos de negociações, a União Europeia aprovou na última sexta-feira (09), o Acordo de Livre Comércio com o Mercosul. A votação ocorreu em Bruxelas com a presença de todos os 27 Estados-membro. A assinatura ocorrerá no sábado (17), na cidade de Assunção, no Paraguai, país que assumiu a presidência rotativa do Mercosul no fim do ano passado.

O acordo deve criar a maior zona de livre comércio do mundo, reduzindo tarifas de importação sobre mais de 90% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos. Estimativas da Comissão Europeia mostram que as exportações para países do Mercosul podem aumentar em até 39%, com potencial de gerar 440 mil empregos na região. A expectativa é que as exportações da União Europeia para o Mercosul cheguem à cifra de € 25 bilhões até 2035.

Para a Câmara de Comércio e Indústria Alemã (DIHK), o acordo aumenta a relevância do Mercosul como destino de investimentos para as empresas alemãs. “Atualmente, 12.500 empresas alemãs exportam para a região, sendo 72% delas pequenas e médias empresas. Há mais de 100 anos, empresas alemãs apoiadas pelas Câmaras de Comércio Exterior atuam na América do Sul. Elas aguardam há muito tempo por esse avanço decisivo”, afirmou Volker Treier, Chefe de Comércio Exterior da DIHK.

Segundo ele, diante da atual crise econômica, a economia alemã depende da abertura de novos mercados e da busca por parceiros estratégicos de longo prazo e o acordo traz essa perspectiva. “O acordo é um sinal importante para nossos concorrentes dos EUA e, sobretudo, da China. A Europa assegura seu lugar no comércio global – e faz isso por meio da abertura de mercados, não do protecionismo”, completou.

“A assinatura do acordo é um marco nessa longa trajetória e representa um futuro muito novo, além de um momento histórico e estratégico para o nosso fortalecimento”, afirmou Barbara Konner, Vice-Presidente Executiva da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo). “O Mercosul, com 270 milhões de pessoas em um PIB de € 2,7 trilhões é um parceiro estratégico para a União Europeia”, completou.

A União Europeia já tem um estoque de investimento superior a € 380 bilhões de euros e exportações que sustentam mais de 750.000 empregos. Dados da Comissão Europeia mostram também que, hoje, mais de 30 mil pequenas empresas já exportam para o Mercosul, e o acordo traz a possibilidade de ampliar negócios. “A eliminação de tarifas e barreiras não-tarifárias permite às empresas alemãs europeias uma economia de mais de € 4 milhões por ano”, afirmou Konner.

Considerando o cenário brasileiro, hoje a UE já é o segundo maior parceiro comercial do País e o segundo principal destino das exportações da indústria de transformação. Os dados são do Ministério Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e mostram também que, em 2024, essa corrente de comércio bilateral alcançou o recorde histórico de US$ 100,1 bilhões, e crescimento de 4,8% em relação ao ano anterior. No mesmo ano, cerca de 30% dos exportadores brasileiros venderam para o mercado europeu – equivalente a 8,7 mil empresas que empregam mais de 3 milhões de pessoas.

O Acordo UE-Mercosul e sua capacidade de atrair mais investimentos aparece em todas as pesquisas mais recentes sobre conjuntura econômica realizadas pela AHK São Paulo. Nos levantamentos, as empresas participantes apontaram para reduções tarifárias e agilidade no processo de importação e exportação como pontos que impactam os negócios de maneira positiva.

Na avaliação da Vice-Presidente Executiva da AHK São Paulo, a aprovação do acordo agora traz uma mensagem importante. “O momento geopolítico não poderia ser mais adequado. É um sinal muito claro para os mercados que, em vez de proteção e política de força, precisamos de cooperação”, finalizou Konner.

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