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11 de junho de 2026

AHK São Paulo recebe delegação de Berlim para debater oportunidades de cooperação no Brasil à luz do Acordo UE-Mercosul

Por Wagner Maciel

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Foto: AHK SP/Pedro Peres

Nesta quinta-feira (11), a Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) recebeu uma delegação composta por representantes do setor público e empresarial de Berlim, para discutir oportunidades de parceria com foco em grandes centros urbanos. A comitiva contou com a presença de Franziska Giffey, ex-Prefeita de Berlim (2021–2023) e Senadora dos Assuntos Econômicos, Energia e Empresas Públicas da Alemanha, acompanhada de sua equipe e de executivos da Câmara de Comércio e Indústria de Berlin (IHK Berlin, em sua sigla em alemão). Também participaram cerca de 15 empresas com presença na capital alemã, de startups a grandes companhias, além de representantes de importantes instituições do País, como Charité, Fraunhofer e Berliner Energieagentur.

Iniciando o encontro,  Bruno Vath Zarpellon, Diretor Executivo de Desenvolvimento de Negócios na Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo, destacou a complementariedade entre os países, traduzida em uma relação bilateral de mais de dois séculos. “O evento de hoje representa um momento muito especial entre o Brasil e a Alemanha. Ambas as regiões possuem fortes laços econômicos, um ecossistema de inovação vibrante e um compromisso comum em enfrentar os principais desafios da nossos dias, como a transição energética, a sustentabilidade e o desenvolvimento global.”

Zarpellon também salientou a semelhança entre Brasil e Alemanha, São Paulo e Berlim, como expoentes econômicos em seus respectivos blocos. “Enquanto São Paulo lidera o ecossistema de inovação na América Latina, Berlim lidera na Europa. Portanto, ambas as cidades são extremamente relevantes quando se fala em inovação, startups e empreendedorismo”, pontuou.

Já a Senadora Franziska Giffey, durante sua fala, sublinhou a cooperação entre Brasil e Alemanha ao afirmar que foi tomada uma decisão por parte de Berlim de diversificar os laços econômicos com a América Latina e ampliar a visão para oportunidades de colaboração. Giffey mencionou o Acordo UE-Mercosul, que entrou em vigor em 1º de maio, como uma janela voltada para um horizonte de possibilidades. “Fomos a primeira delegação alemã de Berlim a vir à região após o acordo, pois acreditamos que ele representa uma grande oportunidade. Vemos um enorme potencial em São Paulo, especialmente para a cooperação entre Brasil e Alemanha, e em particular com Berlim”, afirmou.

A relevância do Brasil como parceiro comercial foi abordada por Dr. Holger Rapior, Cônsul-Geral Adjunto do Consulado Geral da Alemanha em São Paulo, que mencionou o sucesso da participação do País na HANNOVER MESSE, a maior feira de tecnologia industrial do mundo, realizada em abril. “A parceria estratégica entre os dois países foi reativada durante as Consultas Governamentais de Alto Nível. Vale lembrar que a Alemanha possui apenas uma parceria estratégica na América do Sul, que é exatamente com o Brasil. Durante a visita da delegação brasileira à Alemanha, não só foi realizada a rodada de consultas governamentais, como também a nova edição do Programa Econômico Germano-Brasileiro. Esperamos manter esse nível de intercâmbio bilateral”, afirmou.

Painel destaca potencial brasileiro em energia renovável, inovação e escala de mercado

A segunda parte do evento foi construída em formato de um painel moderado por Zarpellon com participação da Senadora Giffey juntamente com André Robic, Líder de Plataformas de Ação Climática na AYA Earth Partners; Luis Mosquera, Vice-Presidente de Assuntos Jurídicos, Relações Governamentais e Sustentabilidade da Siemens e Tobias Wittich, Chairman na  Business Angels Club Berlin-Brandenburg e.V (BACB).

Ao longo da discussão, os participantes enfatizaram o papel estratégico do Brasil em um cenário global marcado por transformações geopolíticas e pela necessidade de diversificação econômica. Segundo Mosquera, empresas alemãs e europeias têm repensado suas relações internacionais, ampliando o olhar para mercados como o brasileiro. “Precisamos diversificar nossas parcerias e cadeias de suprimentos. O Brasil surge como um parceiro essencial nesse contexto, oferecendo estabilidade, escala e novas oportunidades de cooperação”, afirmou.

Mosquera ressaltou que o Brasil possui uma matriz energética predominantemente limpa, o que representa uma oportunidade significativa para empresas alemãs interessadas em processos de descarbonização. “Quase 90% da energia brasileira provém de fontes renováveis. Isso cria um ambiente altamente favorável para o desenvolvimento de soluções sustentáveis”, destacou.

Robic, por sua vez, enfatizou que os desafios atuais – especialmente no campo da descarbonização – exigem uma atuação coordenada entre diferentes atores. “Não se trata de uma iniciativa isolada de uma única empresa. A transição energética envolve toda a cadeia de valor, desde a produção até o consumo final. É fundamental alinhar interesses entre empresas, governos e instituições para que essas soluções avancem de forma consistente”, explicou.

No campo da inovação e dos investimentos, Tobias Wittich trouxe uma perspectiva prática sobre a entrada de investidores internacionais no Brasil. Segundo ele, esse processo tende a ocorrer de forma gradual, com apoio de parcerias locais. “O caminho é começar em conjunto, com parceiros que conheçam o mercado e possam orientar os primeiros passos”, afirmou, ao destacar a importância do ecossistema local na identificação de oportunidades.

Além das oportunidades macroeconômicas, o painel também destacou a importância das conexões humanas e da construção de relacionamentos de longo prazo. Para Giffey, iniciativas como as missões empresariais e os encontros internacionais desempenham um papel central no fortalecimento dessas relações. “Não se trata apenas de fechar negócios no curto prazo, mas de construir pontes duradouras. Juntos, podemos avançar em temas fundamentais que precisam ser enfrentados atualmente”, concluiu.

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