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A violência contra a mulher segue como um dos principais desafios sociais e de saúde pública no Brasil. Em 2025, a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, mostrou que 27% das brasileiras já sofreram violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida. O levantamento também apontou que, embora 4% tenham declarado ter sofrido violência nos 12 meses anteriores, 34% relataram ter vivenciado, no mesmo período, ao menos uma das 19 situações de violência investigadas, incluindo agressões físicas, morais, psicológicas, patrimoniais, sexuais e digitais1.
Esse cenário não se restringe à vida doméstica ou familiar. Ele também atravessa a trajetória profissional das mulheres, manifestando-se em situações de assédio, constrangimento, discriminação e outras formas de violência no ambiente de trabalho. Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão e do Instituto Locomotiva, com apoio da Laudes Foundation, aponta que 76% das mulheres brasileiras reconhecem já ter passado por um ou mais episódios de violência e assédio no ambiente profissional quando apresentadas a situações concretas de abuso, constrangimento e discriminação2.
A discussão se torna ainda mais relevante diante do papel crescente das mulheres na sustentação das famílias brasileiras. Segundo o Censo 2022, do IBGE, 49,1% das unidades domésticas do país tinham mulheres como responsáveis, percentual que avançou de forma significativa em relação a 2010, quando era de 38,7%3.
No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a proteção à mulher também dialoga com a própria composição da instituição. As mulheres representam 66% do quadro funcional, ocupam 78% dos cargos de gerência e 55% da diretoria. É nesse contexto que a instituição estruturou uma frente de apoio e proteção a colaboradoras em situação de violência, reunindo acolhimento interno, rastreamento ativo em consultas.
Já para as pacientes vítimas de violência o hospital oferece fluxo assistencial no Pronto Atendimento para situações que exigem cuidado médico imediato.
As iniciativas partem do entendimento de que a violência contra a mulher não é apenas uma questão de segurança pública, mas também de saúde, trabalho, segurança psicológica e responsabilidade institucional. Muitas vezes, a vítima não verbaliza a situação de forma direta, seja por medo, vergonha, culpa, dependência financeira ou dificuldade de reconhecer determinadas violências. Por isso, criar canais de escuta e preparar equipes para identificar sinais de risco pode ser decisivo para ampliar o acesso ao cuidado.
“Quando falamos em violência contra a mulher, é importante lembrar que nem sempre ela chega de forma explícita. Em muitos casos, aparece em uma queixa de saúde, em sinais emocionais, em mudanças de comportamento ou em relatos fragmentados. O papel da instituição de saúde é oferecer um ambiente seguro para que colaboradoras e pacientes sejam acolhidas, orientadas e encaminhadas da forma mais adequada”, afirmou Maria Carolina Lourenço Gomes, Diretora Executiva de Pessoas, Sustentabilidade e Responsabilidade Social do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
A frente interna voltada às colaboradoras permite que mulheres busquem apoio por meio de um canal específico, com acolhimento e direcionamento conforme a situação relatada. Além do canal de acolhimento, o tema também passou a integrar abordagens realizadas em consultas de saúde interna. A lógica é semelhante ao rastreamento de outros fatores de risco: assim como profissionais de saúde perguntam sobre tabagismo, hipertensão ou histórico familiar, também podem abordar, de forma cuidadosa, se a mulher já sofreu ou está sofrendo algum tipo de violência.
“Perguntar de forma adequada pode abrir uma porta importante de cuidado. Muitas mulheres não procuram ajuda espontaneamente ou não identificam determinadas situações como violência. Quando o profissional de saúde está preparado para abordar o tema com respeito e sigilo, aumenta a chance de oferecer apoio antes que o quadro se agrave”, explicou Maria Carolina.
Nos casos de pacientes que exigem atendimento médico imediato, especialmente situações de violência sexual, o Pronto Atendimento do hospital conta com fluxo assistencial para acolhimento, avaliação clínica, exames, orientação e medidas preventivas quando indicadas. O atendimento pode envolver diferentes áreas, como equipe médica, ginecologia, infectologia, psicologia e serviço social, conforme a necessidade de cada caso.
