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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) acaba de aprovar uma nova indicação da molécula finerenona, da Bayer, para o tratamento de parte dos tipos de insuficiência cardíaca (IC). A decisão foi baseada nos resultados do estudo clínico de Fase III FINEARTS-HF, que comprovou a capacidade da medicação de reduzir de forma significativa, em 16%, o risco relativo de morte cardiovascular e eventos totais de piora da doença (como hospitalizações ou visitas urgentes à emergência).2 E não para por aí: o estudo revelou também que os pacientes tratados apresentaram um risco 24% menor de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação ao grupo placebo.
A nova indicação é voltada para um perfil muito específico e desafiador: pacientes com insuficiência cardíaca cuja fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) é maior ou igual a 40%. Nesses casos, a doença é caracterizada pela rigidez do coração, que passa a ter dificuldade de relaxar o suficiente para se encher de sangue adequadamente, prejudicando a oxigenação do corpo. Para reverter esse quadro, a finerenona atua de forma pioneira bloqueando o receptor da aldosterona, um hormônio que, em excesso, é o grande responsável por causar os inchaços e a rigidez do músculo cardíaco.2
A urgência por inovações nessa área é refletida nos números. Estamos diante de um problema de saúde pública sem precedentes. A insuficiência cardíaca crônica atinge cerca de 64 milhões de pessoas no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a doença é uma das maiores causas de internação, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Além disso, metade desses pacientes enquadra-se justamente no grupo com fração de ejeção maior ou igual a 40%, que hoje conta com opções muito limitadas de tratamentos eficazes.
O tratamento de pacientes com essa característica era um dos maiores desafios da cardiologia, devido ao perfil apresentar um alto risco de complicações graves e a medicina possuir poucas respostas com eficácia realmente comprovada na ciência. A aprovação regulatória muda as regras do jogo. Ter um tratamento que não apenas reduz as hospitalizações por IC e o risco de morte cardiovascular em 16%, mas que também protege o paciente de desenvolver o diabetes tipo 2 é um avanço clínico imensurável que nos permite modificar o percurso da doença e oferecer vida com mais qualidade e tempo.
Expansão do tratamento: dos rins ao coração
A nova chancela para a insuficiência cardíaca expande o legado terapêutico da finerenona. O medicamento já possuía aprovação prévia da ANVISA – e em mais de 90 países – para o tratamento da doença renal crônica (estágios 3 e 4 com albuminúria) associada ao diabetes tipo 2 em pacientes adultos.
A correlação clínica entre essas condições é altamente relevante: publicações médicas apontam que de 35% a 70% dos pacientes com insuficiência cardíaca também apresentam doença renal crônica. Com a expansão da bula, a Bayer reforça sua tradição científica em pesquisa e desenvolvimento, avançando na criação de tratamentos capazes de proteger de forma integrada órgãos vitais como o coração e os rins, atuando em áreas com altas necessidades médicas não atendidas.
