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Do laboratório para a HANNOVER MESSE: Deep techs brasileiras apresentam o futuro da descarbonização industrial com apoio da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo

Por Wagner Maciel

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Foto: Vitor Solinas

A edição de 2026 da HANNOVER MESSE, na Alemanha, serviu de vitrine para o vigor da inovação brasileira voltada à economia verde. Com o apoio da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo), três startups com projetos para descarbonização da indústria cruzaram o Atlântico para exibir seus projetos na maior feira de tecnologia industrial do mundo.

As empresas foram selecionadas entre os participantes do programa D4iD (Deep Techs for Industry Decarbonization), projeto idealizado pela AHK São Paulo em parceria com o Cubo Itaú e executado pela Emerge Brasil, que conecta o ecossistema de ciência e tecnologia às necessidades imediatas das grandes corporações.

Como impulso às soluções criadas durante o programa, os representantes das startups DIRAC, HVB Energy e ZeoFertil puderam mostrar que a ciência brasileira está pronta para escalar e resolver problemas estruturais, além conhecer mais sobre as tecnologias que estão pautando a indústria global.

Segundo Junior Laury Schwingel, CEO da HVB Energy, idealizadora de um sistema integrado de produção de hidrogênio verde a partir de biomassa e efluentes, a iniciativa foi um antes e depois para o negócio. Ele revela que a startup se inscreveu “nos 45 minutos do segundo tempo” e que o D4iD acabou se tornando a primeira experiência de aceleração da empresa.

“Estávamos trabalhando quietos no nosso canto quando vimos que tínhamos sido selecionados para o programa. Essa participação abriu nossa mente para novas oportunidades”, afirma o executivo. Para ele, o suporte da AHK São Paulo foi fundamental para que o mercado pudesse, finalmente, visualizar o potencial da tecnologia desenvolvida pela startup.

A visibilidade internacional colhida em Hannover já apresenta resultados concretos. Além da exposição na feira, a HVB Energy foi convidada pela Agência Alemã de Energia (DENA) para apresentar seu trabalho em um evento exclusivo. “Por meio da vinda à feira, muitas portas se abriram com empresas com as quais já estávamos tratando sobre nosso trabalho”, celebra Schwingel, destacando que a interação com outras startups e a realização de pitches em solo alemão deram à empresa a real dimensão da grandeza desse mercado global.

No campo da eficiência energética, a DIRAC propõe o uso de baterias de areia como mecanismo para armazenamento de energia. A solução é estratégica para o Brasil, que tem excedente de energias como solar e eólica, permitindo o armazenamento de de forma flexível e controlada.

André Luis Bonaventura, CEO da startup, explica que a proposta surge como uma alternativa às baterias de lítio, sendo ecologicamente correta e barata quando comparada com essas tecnologias. “Uma coisa importante a destacar é que nosso projeto não utiliza terras raras, além de ser uma tecnologia 100% e que pode ajudar as indústrias tanto do Brasil quanto da Alemanha, no processo de descarbonização e também segurança energética”, afirmou.

Além da projeção internacional, a proximidade com o mercado corporativo permitiu que a Dirac refinasse sua estratégia de negócios ainda em solo brasileiro. Bonaventura revela que, por meio do programa, a startup estabeleceu conexões diretas com gigantes alemãs que operam no Brasil. O impacto dessa mentoria prática foi imediato: durante uma visita presencial à sede da Festo, em São Paulo, o diálogo com lideranças de inovação e marketing gerou insights que transformaram o business case da startup.

Tão real quanto a viabilidade das soluções é a possibilidade de escala de cada uma. A ZeoFertil é um claro exemplo disso, com seu projeto de transformar resíduos industriais em fertilizantes de liberação inteligente, a startup teve o D4iD como catalisador de sua estratégia de go-to-market e conseguiu avançar em negociações com grandes players industriais.

Segundo a fundadora e CEO da ZeoFertil, Camila Gomes Flores, o maior aprendizado obtido no programa foi a estruturação de um Business Case de ponta a ponta. “Isso nos deu uma visão clara de onde estamos e para onde vamos”, comentou. No momento, o desafio estratégico de Camila e de sua startup tem sido desenhar modelos de negócio que entreguem valor imediato às grandes indústrias.

A executiva conta que a vitrine HANNOVER MESSE foi um divisor de águas na história da empresa. “O D4iD nos forçou a sair da bancada do laboratório e olhar para a tecnologia de forma macro, transformando uma inovação técnica em um produto comercialmente viável. Hannover abriu portas para pensarmos na ZeoFertil como uma empresa global”, concluiu.

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