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Automação sustentável, eficiência energética e redução das emissões de CO₂. Cada vez mais associados à competitividade industrial, esses temas pautaram mais uma edição do Eventos no Interior, realizada nesta quarta-feira (2), pela SMC Automação do Brasil Ltda e a Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo). Maior parque fabril da companhia na América Latina, a sede da empresa, em São Bernardo do Campo, conta com 67 mil m², e foi palco de uma intensa programação que teve como destaque o método 4BAR Factory, desenvolvido pela SMC para promover economia de energia em ambientes produtivos.
O encontro foi realizado em parceria com a Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha (VDI, em sua sigla em alemão), representada na ocasião por Maria Fernanda Ferraz, Analista de Projetos Sênior e líder da iniciativa Industry4Her. Além da apresentação de tecnologias voltadas à eficiência operacional, o evento promoveu debates sobre transformação digital, sustentabilidade e colaboração entre empresas e especialistas dos dois países.
Ponto forte dos Eventos no Interior, a cooperação foi um dos temas abordados na visita. Ana Carolina Castro, Diretora de Comunicação na AHK São Paulo, destacou como novas conexões e oportunidades de colaboração são amplamente fomentadas em cada edição. “Levar esses encontros para mais perto das empresas associadas é também uma forma de ampliar o diálogo e conhecer, na prática, os desafios e as soluções que estão transformando a indústria”, complementou.
Embora fundada no Japão, em 1959, a SMC mantém forte relação com o mercado alemão, com o país sendo um ponto estratégico para sua operação global. Na cidade de Egelsbach, nos arredores de Frankfurt, funciona o principal pilar tecnológico e de produção da empresa na Europa, uma das primeiras expansões da multinacional fora da Ásia.
Como automação e energia se conectam à sustentabilidade
Foi José Teixeira Brandão Neto, Diretor-Presidente da SMC, quem apresentou a atuação da empresa em automação industrial e destacou como gestão de riscos, sustentabilidade e certificações ambientais e de segurança vêm ganhando relevância na relação entre fabricantes e seus clientes.
Para Teixeira, sustentabilidade não se limita àquilo que é entregue, mas começa na forma como os processos e seus impactos são analisados. “Quando fornecemos um componente para uma aplicação crítica, precisamos olhar para todo o sistema. Mesmo que o nosso componente não apresente uma falha, o impacto de uma falha no equipamento pode chegar até nós. Precisamos entender onde ele será aplicado e quais riscos estão associados àquela aplicação”, pontuou.
Na sequência, Waldemar Nicolau Junior, Especialista de Segmento em Energy Saving da SMC, apresentou soluções voltadas à eficiência energética e à digitalização de processos industriais. Entre os exemplos, destacou o 4-bar factory, metodologia que busca identificar oportunidades de redução de pressão e desperdícios em sistemas pneumáticos, além do uso de sensores e comunicação industrial para monitorar equipamentos em tempo real.
Segundo Junior, eficiência energética não se limita a reduzir o consumo, mas em aumentar a disponibilidade das máquinas, reduzir desperdícios e tornar a produção mais eficiente. “O 4-bar factory mostra que é possível trabalhar com uma pressão otimizada nos pontos de uso e, com isso, reduzir desperdícios sem necessariamente comprometer o processo produtivo”, afirmou.
O especialista complementou dizendo que para uma real implementação de conceitos de sustentabilidade, a arquitetura digital permite transformar os dados dos equipamentos em informação para a tomada de decisão. “Quando conseguimos acompanhar ciclos, paradas, pressão e condições dos equipamentos em tempo real, deixamos de apenas reagir aos problemas e passamos a antecipá-los”, finalizou.
Por fim, o Prof. Dr. Davi Moraes, PhD em Inteligência Artificial (IA) pela Universidade de São Paulo (USP) e Professor do Instituto Mauá, encerrou a programação com uma reflexão sobre os desafios da transformação digital. Ao abordar Indústria 4.0, IA e automação, destacou que a adoção de tecnologia precisa estar associada à sustentabilidade, à participação das pessoas e à resiliência dos processos.
“A transformação digital precisa partir de problemas reais da indústria e integrar sustentabilidade, pessoas e resiliência. Automação sustentável não é apenas uma decisão tecnológica, mas, essencialmente, de negócio. No fim, sustentabilidade industrial é competitividade”, finalizou.
