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Ministro alemão destaca Acordo UE-Mercosul como marco para integração econômica e desenvolvimento sustentável

Por Wagner Maciel

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Foto: Ruy Hizatugu (AHK São Paulo)

Em vigor desde 1º de maio, o Acordo entre União Europeia e Mercosul e seus desdobramentos voltaram à cena macroeconômica durante o encontro “Acordo UE-Mercosul – Oportunidades para um futuro verde e digital”, realizado pela Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) em parceria com a Eurocâmaras, no dia 02 de julho. Em formato de painel de debate com especialistas, o evento contou com a presença do Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Dr. Johann Wadephul, ao lado de uma delegação de mais de 40 pessoas, composta por autoridades e representantes do setor empresarial. A  parceria entre os blocos somada à força da relação teuto-brasileira foi o destaque da participação do Ministro, que enfatizou a importância do Brasil como importante parceiro comercial na América do Sul.

Já na abertura, o protagonismo da cooperação foi endossado por  Alexander Seitz, Presidente da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo) e Chairman Executivo da Volkswagen para a Região América do Sul, que enfatizou a importância de dialogar sobre o tema, uma vez que o Acordo oferece oportunidades de expansão para empresas de todos os portes. “O Acordo UE-Mercosul é um passo na direção certa, e apresenta possibilidades de expansão para pequenas e médias empresas até grandes corporações. Estamos falando de um tratado que fortifica a cooperação entre duas regiões econômicas que somam mais de 700 milhões de habitantes e que impulsiona diretamente investimentos e projetos tanto na indústria quanto no desenvolvimento digital”, declarou.

 

“Brasil e Alemanha são os principais parceiros um do outro no cenário UE-Mercosul”

Na sequência, teve início o painel principal com o Ministro Wadephul, ao qual se juntaram Barbara Konner, Vice-Presidente Executiva da Câmara Brasil-Alemanha, como moderadora; Rodrigo Zerbone, Secretário Executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC); Afonso Lamounier, membro da Diretoria da AHK São Paulo e Vice-Presidente de Relações Governamentais SAP Latin America; e Svenja Ahlburg Soares, membro da Diretoria da AHK São Paulo e Chief Sales Officer Region Americas & Vice President Latin America na Wilo Group.

Foto: Ruy Hizatugu (AHK São Paulo)

Diante dos mais de 140 participantes, entre autoridades, executivos e imprensa, Dr. Wadephul salientou o êxito das negociações como fruto de grande resiliência por parte dos blocos, uma vez que a resistência imposta postergou sua concretização em anos. “Em meio a um contexto global marcado por incertezas, cria-se uma conjuntura crítica para o planejamento de negócios entre nações industrializadas interconectadas como Brasil e Alemanha. Por isso, não acredito estar exagerando ao dizer que o Acordo é um marco histórico para ambas as regiões. Demos um exemplo estratégico em favor de um comércio aberto, baseado em regras e mutuamente benéfico”, afirmou.

Em complemento, Dr. Wadephul disse que o Brasil, com um volume comercial projetado de € 21 bilhões em 2025, é de longe o parceiro comercial mais importante da Alemanha na América do Sul. “Ao mesmo tempo, a Alemanha é o parceiro comercial mais importante do Brasil na Europa. Cada transação comercial envolve mais de mil empresas alemãs e brasileiras, que contribuem significativamente para a produção econômica do Brasil e geram milhares de empregos. Vale destacar que empresas alemãs exportam anualmente mercadorias no valor de quase € 13 bilhões para o Brasil”, ponderou.

 

Digitalização prova seu valor no aumento da competitividade

Tratando da integração tecnológica após a ratificação do Acordo, Alfonso Lamounier salientou que a transformação digital deixou de ser apenas uma pauta da tecnologia para se tornar um fator essencial de competitividade e resiliência para empresas, governos e países. Segundo ele, economias que não avançam em sua digitalização enfrentam dificuldades para competir em um cenário global cada vez mais dinâmico.

Diante disso, o executivo afirmou que o acordo entre União Europeia e Mercosul deve ser visto não apenas sob a ótica comercial, mas também como uma iniciativa estratégica capaz de impulsionar o desenvolvimento da região. “O  Brasil reúne vantagens competitivas relevantes em áreas de inovação, com o setor financeiro sendo uma referência internacional em tecnologia, além do agronegócio altamente digitalizado e baseado em agricultura de precisão. Somados ao potencial do país em energias renováveis, esses atributos colocam o Brasil em posição de destaque para aproveitar as oportunidades geradas pela aproximação entre os dois blocos econômicos”, disse Lamounier.

Na prática, esse intercâmbio tecnológico impacta diretamente o dia a dia das indústrias alemãs no Brasil no que se refere à descarbonização. Para Svenja Ahlburg Soares, o acordo entre União Europeia e Mercosul tem potencial para impulsionar novos investimentos industriais alemães no país ao ampliar a previsibilidade para as empresas e fortalecer a competitividade da produção local. Segundo ela, embora a Wilo tenha direcionado parte relevante de seus investimentos globais para a Alemanha, o Brasil também recebeu aportes importantes e pode atrair novos projetos com o avanço da integração entre os blocos. “Com certeza o Acordo entre a União Europeia e o Mercosul vai acelerar outros investimentos”, afirmou.

No entanto, ela ressaltou que a redução das barreiras tarifárias, por si só, não será suficiente. “Precisamos contribuir para que a indústria brasileira seja mais competitiva”, disse. Soares também defendeu o desenvolvimento conjunto de inovação entre empresas brasileiras e alemãs, especialmente em áreas como digitalização e inteligência artificial, argumentando que a cooperação tecnológica será fundamental para estimular investimentos sustentáveis de longo prazo e ampliar a competitividade da indústria diante da concorrência global.

A afirmação encontra eco na visão de Rodrigo Zerbone, do MDIC. “Temos como prioridade o desenvolvimento de setores fundamentais para a indústria do futuro. Temos todo um ecossistema na economia verde, por exemplo, que precisamos explorar”, afirmou, citando áreas como minerais críticos, transformação digital, defesa e saúde. Segundo ele, o Acordo UE-Mercosul pode contribuir para a nova política de industrialização do Brasil, lançada em 2023, com possibilidades de crescimento conjunto e de investimentos bilaterais. “Este acordo traz a perspectiva de uma integração que desbloqueie todas as oportunidades e o potencial que temos aqui, para que possamos criar mais resiliência para ambas as economias, e que possamos construir conjuntamente um futuro que priorize não apenas o crescimento econômico, mas também a segurança da democracia”, finalizou.

 

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