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21 de abril de 2026

Nova era de cooperação é celebrada no Encontro Econômico Brasil-Alemanha 2026

Por Wagner Maciel

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Foto: Michelle Fioravanti / CNI

 

Transformação digital, inovação, mineração e transição energética devem pautar os avanços e a expansão de mercados na relação entre Brasil e Alemanha. Esse foi o tom dos discursos na abertura do 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA 2026), que contou com a presença do Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Ambos destacaram fortemente a importância da cooperação estratégica entre os dois países, sob a perspectiva do Acordo entre Mercosul e União Europeia, que entra em vigor em 1º de maio, em caráter provisório.

O EEBA é o evento mais importante da agenda econômica entre Brasil e Alemanha e é promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e da Bundesverband der Deutschen Industrie (BDI), que reúne o setor industrial alemão.

Durante a cerimônia de abertura, Lula fez questão de ressaltar o momento econômico favorável do Brasil “contrastante com o cenário global em desaceleração e em meio à múltiplas crises” como um dos motivos que levaram o Brasil a ser escolhido o País Parceiro na HANNOVER MESSE. “Isso reflete a confiança que despertamos junto ao povo alemão”, declarou.

O Acordo UE-Mercosul e o Acordo para Evitar a Dupla Tributação entre os países foram citados pelas autoridades como símbolos de uma relação bilateral de longa data. “Juntos, Brasil e Alemanha reúnem mais de 300 milhões de habitantes e consumidores, e nossos países dispõem de um enorme potencial econômico conjunto. Mesmo sem o acordo de livre comércio, o volume bilateral de comércio já ultrapassou 20 bilhões de euros em 2024”, afirmou Merz, se comprometendo com a ampliação deste volume. “Queremos fortalecer esse volume com o Acordo e ampliá-lo de forma significativa. Comprometo-me explicitamente à meta ambiciosa de dobrar o comércio bilateral nos próximos anos”.

O Chanceler alemão trouxe dados de uma pesquisa da Câmara Alemã de Indústria e Comércio (DIHK), que mostra que cerca de um terço das empresas alemãs com atuação internacional espera impactos positivos do Acordo com o Mercosul em seus negócios e, entre elas, um quarto planeja expandir suas atividades na América Latina nos próximos anos.

Merz também ressaltou a importância da atuação da rede de Câmaras de Comércio e Indústria no Exterior como ponte para essas relações. “As Câmaras de Comércio Exterior alemãs em São Paulo e no Rio de Janeiro celebram neste ano 110 anos. Atualmente, cerca de 1.300 empresas com capital alemão estão ativas no Brasil, respondendo por aproximadamente 10% da produção industrial do país”.

Já o líder brasileiro foi enfático ao declarar o intercâmbio comercial com a Alemanha é grande, mas ainda está abaixo do potencial. E aproveitou a presença massiva de empresários industriais para pedir engajamento pela vigência permanente do Acordo. “ Precisamos que os setores favoráveis ao acordo falem mais alto que os que se opõem, sobretudo na Europa. É hora de garantir que ele gere benefícios a trabalhadores, empresas e consumidores diante de um cenário internacional muito turbulento e incerto”, afirmou Lula.

O Presidente deu maior visibilidade às questões mercadológicas dessa relação, e fez questão de mencionar “setores estratégicos” da neoindustrialização brasileira em que a indústria e o empresariado alemão podem aprofundar sua presença. “Pensando na área da saúde, a expertise alemã em hospitais inteligentes pode encontrar oportunidades únicas no Sistema Único de Saúde brasileiro (SUS), que é um exemplo para o mundo por ser o único sistema universal e gratuito a atender uma população de 215 milhões de pessoas”, pontuou.

No campo energético, Lula traçou um comparativo direto entre as metas climáticas das duas regiões, observando que, enquanto a União Europeia espera atingir 50% de renováveis em sua matriz apenas em 2050, o Brasil já alcançou essa marca em 2025. Defendendo o pioneirismo nacional em biocombustíveis iniciado nos anos 70, citando o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel como soluções de baixíssima pegada de carbono, ele reforçou que a força dessa tecnologia está sendo demonstrada na prática durante a HANNOVER MESSE, onde se nota a capacidade brasileira para resolver o gargalo da descarbonização dos transportes.

Friedrich Merz, destacou o Brasil como um parceiro fundamental em um mundo cada vez mais desafiador em matéria de acordos comerciais, sejam eles novos ou existentes. “Compartilhamos com o Brasil um interesse fundamental em uma ordem política onde possamos confiar em acordos, nos apoiar em tratados, contribuir para a resolução conjunta de problemas globais e, acima de tudo, resolver conflitos apenas por meios pacíficos”, enfatizou.

O líder alemão destacou que essa parceria não se aplica apenas ao campo da política econômica, mas que é particularmente relevante para ela. “O comércio aberto, justo e livre só pode prosperar com base em relações equilibradas, sustentáveis e, sobretudo, fundamentadas em regras. Com o Brasil, isso é possível”, completou.

Complementando a visão governamental, o Presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou o peso histórico da delegação empresarial brasileira no encontro, composta por mais de 160 empresas de diversos setores e regiões. Alban enfatizou que o Brasil possui ativos naturais admiráveis, como uma matriz energética limpa e minerais estratégicos, que são fundamentais para aumentar a competitividade e a sustentabilidade da própria indústria alemã. Segundo o executivo, o setor industrial brasileiro tem avançado rapidamente em digitalização e inovação, criando uma base sólida para parcerias que vão além dos laços tradicionais entre as duas nações.

Segundo o Presidente da BDI, Peter Leibinger, expandir a parceria com o Brasil é um pilar fundamental para a competitividade e a resiliência da economia alemã. “Em tempos de crescente incerteza, torna-se evidente que a resiliência em economias abertas surge de parcerias sólidas e de um ecossistema industrial robusto. Nesse contexto, queremos aprofundar nossa cooperação estratégica com o Brasil, com foco na abertura econômica, na cooperação confiável e em um arcabouço baseado em regras”, finalizou.

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