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A busca pela eficiência frequentemente esbarra em um paradoxo estrutural no ecossistema da manufatura moderna: enquanto as máquinas operam com precisão milimétrica e automação de ponta, a coordenação desses ativos ainda depende de processos analógicos, intuição empírica e planilhas estáticas de Excel. Diante disso, o Planejamento e Controle de Produção (PCP), coração analítico de qualquer indústria, torna-se um dos gargalos invisíveis para a escalabilidade corporativa.
Para romper com essa barreira e elevar o nível de produtividade industrial, a startup Harumi desenvolveu uma plataforma de Inteligência Artificial focada em pesquisa operacional e sequenciamento otimizado de produção. Longe de ser apenas uma ferramenta de automação de rotinas, a tecnologia resolve a dor crônica de indústrias de alta complexidade ao transformar o conhecimento técnico dos gestores em um sistema automatizado, reduzindo drasticamente o tempo de planejamento e eliminando as perdas financeiras causadas por gargalos não mapeados.
O planejamento manual de uma fábrica é um problema complexo. Questões como capacidade de carga-máquina, prazos de entrega, tempo de troca de ferramental (setups), ausências na equipe e quebras inesperadas de equipamentos geram um volume de dados impossível de ser otimizado por decisões humanas em tempo hábil.
Historicamente, a resposta das indústrias tem sido o planejamento empírico. Gestores seniores montam grades baseadas na experiência individual, sacrificando a otimização matemática em prol de rotinas mais “confortáveis” para os operadores. O resultado desse modelo é uma rotina de combate a “incêndios”.
A abordagem da Harumi, no entanto, ataca diretamente a causa raiz dessas ineficiências. Ao integrar dados reais da operação registrados em ERPs, a IA institucionaliza o conhecimento técnico da fábrica e entrega um sequenciamento automático e integrado.
“A Harumi está redefinindo como projetos de otimização operacional são desenvolvidos e entregues: combinando IA, tecnologia proprietária e especialistas internos para entregar mais velocidade sem abrir mão da qualidade,” declarou Bruno Brito, sócio da Harumi e Professor de MBA em Business Analytics e Big Data na Fundação Getulio Vargas (FGV).
O caso da Acearia AFM
A robustez prática da tecnologia desenvolvida pela Harumi é comprovada em cenários de altíssima exigência técnica, como o da Acearia Frederico Missner (AFM). Antes da implementação da IA da Harumi, a equipe da AFM despendia 1,5 hora por dia apenas alimentando planilhas manuais. Devido a imprevistos na fábrica, a aderência ao plano inicial orbitava a faixa crítica de 45%, gerando atrasos em cascata e gargalos não diagnosticados na área de Macharia que paralisavam o setor de Moldagem.
A introdução da IA promoveu uma virada estrutural imediata na dinâmica produtiva, transformando o tempo gasto em tarefas burocráticas em horas dedicadas à melhoria contínua. Os dados consolidados do projeto evidenciam o salto de performance:
| Indicador Chave de Performance (KPI) | Cenário Tradicional (Antes) | Impacto com Harumi (Depois) |
| Tempo de Planejamento Diário | 1h 30min (Manual via planilhas) | 5 minutos (Redução de 94%) |
| Trabalhos em Atraso (Jobs) | Acúmulo de filas e lead time alto | Queda drástica de 38% nos atrasos |
| Aderência ao Plano de Produção | Cerca de 45% (Ajustes frequentes) | Aumento de 23% na estabilidade |
| Tempo Total de Setup (Gargalo) | Setups desordenados e ociosidade | Otimização e redução de 11% |
“Antes da Harumi, nossa rotina de planejamento consumia muito tempo e, ainda assim, era difícil entender por que a produção não seguia como esperado. Hoje, com visibilidade real da capacidade, dos setups e dos gargalos, conseguimos planejar com segurança e garantir entregas mais previsíveis”, conta Nélio Cordeiro, Coordenador de Planejamento e Controle de Produção (PCP) da AFM.
A experiência da AFM denota uma tendência na indústria, que é a adesão a um olhar mais atencioso para um ativo menos visível: os dados. É nesse contexto que a Harumi atua, combinando pesquisa operacional e IA para simular cenários e otimizar o sequenciamento da produção. O resultado é uma operação mais previsível e com menos interrupções, o que demonstra como a tecnologia pode transformar a tomada de decisão no chão de fábrica.
