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6 de novembro de 2026

Fórum Brasil-Alemanha de Inovação e Sustentabilidade debate inovação para mais qualidade de vida

Por Wagner Maciel

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A busca por mais qualidade de vida tem aproximado setores em prol de uma agenda em comum: Saúde, alimentação, tecnologia, indústria e sustentabilidade integram um mesmo ecossistema de inovação que gera produtos e serviços focados em ampliar o bem-estar e a oferecer respostas a desafios sociais e ambientais. Essa visão orientou a edição 2026 do Fórum Brasil-Alemanha de Inovação e Sustentabilidade, realizado nesta sexta-feira (6) pela Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo),  sob o lema Innovation for a Better Life.

Ao contextualizar a realização do Fórum no ano em que a AHK São Paulo completa 110 anos, Barbara Konner, Vice-Presidente Executiva da entidade, associou a longevidade institucional à capacidade de acompanhar as transformações da sociedade e do ambiente de negócios. “Nenhuma instituição permanece relevante por mais de um século apenas preservando o que já existe. Ela permanece relevante, porque é capaz de evoluir, se adaptar e criar respostas para novos desafios”, declarou.

Irmgard Maria Fellner, Cônsul-Geral da Alemanha em São Paulo, que também participou da abertura oficial do evento, ressaltou que os avanços tecnológicos precisam ser avaliados por sua capacidade de melhorar a vida das pessoas. “Viver melhor depende de um ecossistema integrado que inclui indústrias, governo, academia e a própria população. Inovação para uma vida melhor também significa proteger as pessoas das mudanças climáticas e responder aos desafios que chegam cada vez mais rápido. Tudo culmina na dignidade humana: a boa tecnologia é aquela que nasce para servir e cuidar do indivíduo”, afirmou.

A integração de critérios ambientais às decisões de negócio esteve no centro do primeiro painel, que reuniu Flávia Favaro, Diretora de Corporate Affairs da Boehringer Ingelheim; Rafael Gibini, CEO da Cia. Melhoramentos; e Rodolfo Walder Viana, Senior Sustainability Manager da BASF South America e Managing Director da Fundação Espaço Eco.

Ao introduzir o debate, o moderador Bruno Vath Zarpellon, Diretor Executivo de Desenvolvimento de Negócios da AHK São Paulo, destacou que os resultados de uma empresa dependem do nível de inovação e sustentabilidade presente em toda a sua rede de fornecedores e parceiros. “A convergência entre inovação e sustentabilidade é estratégica para o futuro dos negócios. Esse avanço, contudo, exige o alinhamento de toda a cadeia de valor. A sustentabilidade e a capacidade de inovação de uma grande indústria são diretamente determinadas pela maturidade socioambiental e tecnológica de seus fornecedores e parceiros”, disse.

A discussão reforçou que esse alinhamento começa antes mesmo de um produto chegar ao mercado. Favaro defendeu que os impactos ambientais sejam considerados ainda nas etapas de pesquisa e desenvolvimento. “A sustentabilidade precisa estar incorporada desde a concepção do produto, e não como uma medida corretiva aplicada após a sua chegada ao mercado. Quando desenhamos uma solução considerando o seu impacto ambiental desde o início, viabilizamos processos mais eficientes e sustentáveis sem gerar custos adicionais de mitigação. No setor de saúde, a inovação só é plena quando protege a vida sem comprometer os recursos do planeta”, declarou.

A temática de propriedade intelectual foi apresentada como uma das condições para estimular investimentos de longo prazo em pesquisa e desenvolvimento na área da saúde. Dra. Claudia Bärmann Bernard, Diretora Executiva Administrativa e Jurídica da AHK São Paulo, apontou a cooperação bilateral como um caminho para aprimorar esse ambiente. “O fortalecimento da inovação na área da saúde passa, necessariamente, por garantias sólidas de propriedade intelectual. Há uma oportunidade clara de cooperação bilateral entre o Brasil e a Alemanha para construirmos mecanismos que protejam o conhecimento e acelerem o acesso a novas tecnologias”, afirmou.

Durante o debate, Felipe Alves, Diretor Jurídico, de Compliance e Propriedade Intelectual da Interfarma, e Bernardo Marinho, Sócio do Dannemann Siemsen Advogados, discutiram como previsibilidade jurídica, capacidade técnica e agilidade regulatória influenciam o percurso entre a pesquisa e a chegada de novos tratamentos ao mercado. Entre as possibilidades analisadas estiveram a proteção de dados regulatórios, mecanismos de compensação por atrasos na análise de patentes e registros sanitários e a especialização dos profissionais responsáveis por essas decisões.

Na discussão, foi observado que a concessão de uma patente não assegura, por si só, o acesso da população à inovação. A incorporação de novas tecnologias ao sistema de saúde, a definição de preços e a construção de modelos de acesso também precisam avançar para que os investimentos em pesquisa se convertam em benefícios concretos para os pacientes.

Sociedade 5.0 coloca pessoas no centro da transformação digital

A evolução da Indústria 4.0 para a Sociedade 5.0 e como tecnologias desenvolvidas inicialmente para ampliar a eficiência de máquinas e processos podem ser aplicadas à melhoria da qualidade de vida orientou o debate entre Diego Mariano, Gerente Sênior de Indústria 4.0 da Capgemini, e Alessandra Viviane Marques, Coordenadora de Inovação em Saúde Digital no Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Mariano ponderou que o aumento da produtividade proporcionado pela inteligência artificial precisa vir acompanhado de novas formas de capacitação, sobretudo para profissionais em início de carreira. À medida que parte das atividades operacionais é absorvida pela tecnologia, as empresas passam a buscar ambientes de aprendizagem, certificações e experiências simuladas que preparem esses profissionais para funções mais analíticas e complexas.

Na saúde, essa transformação exige atenção adicional à segurança dos pacientes, à qualidade dos dados e à supervisão humana. Marques explicou que a inteligência artificial pode organizar informações clínicas, apoiar a identificação de riscos e reduzir o tempo dedicado por médicos e equipes assistenciais a tarefas administrativas. A tecnologia, contudo, precisa ser treinada com o conhecimento dos profissionais responsáveis pelo atendimento e integrada a uma infraestrutura digital capaz de reunir dados hoje dispersos em diferentes sistemas. Segundo ela, o objetivo é retirar parte da carga operacional das equipes e permitir que médicos e profissionais de enfermagem dediquem mais tempo ao contato direto com os pacientes.

Daniel Pola, Head of Digital Business da Festo, ficou responsável por destacar o papel da educação como base para que a automação e a IA gerem valor para a indústria e para a sociedade. “O avanço da automação e de tecnologias como a inteligência artificial só gera valor real se acompanhado pela qualificação profissional. A educação é o pilar estruturante desse processo, exigindo novos modelos de aprendizagem híbrida e capacitação contínua para preparar as pessoas para o futuro da indústria”, pontuou.

Infraestrutura tecnológica transforma inovação em aplicação prática

A integração entre equipamentos, sistemas e dados foi o ponto de partida do último painel do Fórum, moderado por Fernando Paraíso, Diretor de Inovação e Sustentabilidade da AHK São Paulo. “A transição de conceitos inovadores para a prática diária exige olhar com atenção para a infraestrutura tecnológica que sustenta as organizações. Compreender a escala dessa base digital e como ela impacta as operações é essencial para impulsionar o futuro dos negócios com segurança e previsibilidade”, afirmou. O debate reuniu Fabio Keller, Comprehensive Cancer Care Leader Latin America da Siemens Healthineers; Manuel Serrano, Engenheiro de Conceitos Globais e Indústrias de Processo da Festo Brasil; e Thiago Cachello, Gerente de T.I. do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Na indústria, padrões de automação modular permitem que máquinas de diferentes fabricantes compartilhem dados e sejam incorporadas com maior agilidade às linhas de produção. Manuel Serrano explicou que essa interoperabilidade oferece maior flexibilidade aos investimentos, especialmente na indústria farmacêutica, ao permitir que uma fábrica comece a produzir em menor escala e amplie sua capacidade conforme a evolução da demanda. A integração mais rápida entre equipamentos também pode reduzir o tempo necessário para adaptar plantas industriais e levar novos produtos ao mercado.

Na saúde, a infraestrutura digital precisa combinar inovação, capacitação e continuidade operacional. Keller destacou que a inteligência artificial incorporada aos equipamentos médicos pode assumir etapas operacionais, aumentar a precisão dos diagnósticos e liberar os profissionais para se concentrarem na análise clínica e no contato com os pacientes. Cachello acrescentou que a adoção de novas soluções em um hospital de alta complexidade exige segurança, escalabilidade e resiliência, uma vez que vulnerabilidades nos sistemas podem afetar diretamente a assistência. O desafio consiste em testar e incorporar tecnologias enquanto a instituição permanece em pleno funcionamento.

O encontro foi concluído com o reconhecimento da startup brasileira Opesly, vencedora da edição 2026 do Startups Connected, programa de inovação aberta da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo. Esta edição do programa foi realizada em parceria com o Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH). Tuany Gasparino, Fundadora da startup, apresentou a solução, que utiliza inteligência artificial para identificar a composição de produtos e materiais descartados, indicar possibilidades de reparo, reutilização ou reciclagem e conectá-los aos agentes responsáveis por sua recuperação. A plataforma também acompanha o percurso dos materiais, ampliando a rastreabilidade. O caso retomou a mensagem central do Fórum ao demonstrar como tecnologia, conhecimento humano e integração entre diferentes agentes podem transformar desafios ambientais e sociais em novas soluções e oportunidades de negócio.

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