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As conquistas obtidas durante a HANNOVER MESSE, os anúncios de novos projetos e uma leitura estratégica do cenário econômico nacional foram temas de debate na última quinta-feira, 21, durante a Reunião de Diretoria da Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo). Ao abrir o encontro, a Vice-Presidente Executiva da entidade, Barbara Konner, destacou os desdobramentos recentes, atualizou os membros sobre o ambiente econômico global — com ênfase nos impactos da política tarifária dos Estados Unidos — e apresentou um panorama de oportunidades para o Brasil, em meio a rearranjos nas cadeias produtivas internacionais.
Apesar do cenário desafiador refletido na pesquisa AHK World Business Outlook Spring 2026, elaborado pela Câmara de Comércio e Indústria Alemã (DIHK, em sua sigla em alemão), Konner ressaltou o nível de otimismo acima da média global entre empresas alemãs no Brasil e na América Latina, sinalizando perspectivas positivas para a ampliação das atividades da Câmara. “Nosso otimismo e a resiliência às crises nos posicionam distante do epicentro das crises”, afirmou.
Esse otimismo também deu o tom da fala de Bruno Vath Zarpellon, Diretor Executivo de Desenvolvimento de Negócios da AHK São Paulo. Ele destacou a presença brasileira na HANNOVER MESSE 2026, e enfatizou que o evento se consolidou não apenas como a principal plataforma global de negócios industriais, mas também como um palco para uma transformação na visão global sobre o Brasil. “Ficou muito claro que houve uma evolução na forma como o Brasil é percebido, não apenas associado a temas como sustentabilidade ou Amazônia, mas sobretudo como um ator integrado às cadeias globais de valor”, afirmou Zarpellon.
Segundo ele, o País não é mais percebido exclusivamente como um grande mercado consumidor. “O Brasil não é mais visto apenas como destino para negócios, mas como um parceiro estratégico, inserido de maneira mais ativa e relevante nas cadeias produtivas internacionais”, salientou.
Ao complementar a análise sobre a HANNOVER MESSE, Stephanie Marcucci Viehmann, Diretora Executiva de Relações Institucionais e Associativas da AHK São Paulo, destacou que o impacto positivo da participação brasileira se estendeu também para além da feira. “Participamos direta e indiretamente de mais de 43 eventos durante a feira, e produzimos um conteúdo extenso dando visibilidade expressiva às nossas principais pautas”, afirmou.
Ela destacou também a presença dos temas na imprensa e nas mídias sociais. “Em apenas um vídeo publicado tivemos cerca de 3 milhões de visualizações. Então, vídeos a respeito da tecnologia alemã, da cooperação alemã, do biocombustível que foi criado com empresas alemãs, sobre as relações bilaterais no âmbito do acordo UE-Mercosul, as perspectivas sobre bitributação, entre outros”, disse, referindo-se referindo-se, entre outros, ao Acordo entre Mercosul e União Europeia e o Acordo para Evitar a Dupla Tributação (ADT). “No total, a AHK São Paulo e a economia alemã no Brasil foram mencionadas e posicionadas mais de 25 vezes em grandes veículos de mídia brasileiros e alemães. Isso corresponde a um alcance estimado de aproximadamente 50 milhões de leitores em apenas uma semana.”
Segundo ela, a mobilização durante o evento foi ampla e estratégica. A HANNOVER MESSE foi trampolim para uma série eventos paralelos — como as Consultas Intergovernamentais, Comissão Mista e o 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha — que impulsionaram a agenda bilateral e a discussão de acordos, com ênfase para o ADT, cuja retomada das negociações foi anunciada naquele período.
Eleições, economia e seus impactos nas relações bilaterais
Os olhos dos diretores se voltaram ao palco da economia e política brasileira, onde Luiz Gustavo Cherman, Vice-Presidente de Política e Economia do Itaú BBA, destacou que o País entra em um período eleitoral com desafios relevantes, especialmente no controle da inflação e na trajetória da dívida pública.
Segundo Cherman, a taxa de juros segue em patamar elevado, atualmente em 14,5%, reflexo de uma inflação ainda acima da meta, pressionada principalmente pelo setor de serviços. “O mercado de trabalho aquecido, com dificuldade das empresas em contratar, tem impacto direto sobre os salários e, consequentemente, sobre a inflação”, explicou.
O especialista também chamou atenção para o aumento nas expectativas de inflação de médio e longo prazo, associado à dívida pública, que deve continuar em trajetória de alta. “Qualquer governo eleito terá que enfrentar o desafio de estabilizar a dívida, o que envolve decisões complexas do ponto de vista político”, afirmou.
No campo político, o economista destacou uma mudança relevante na dinâmica eleitoral brasileira. Embora o desempenho econômico historicamente tenha sido determinante para os resultados nas urnas, essa correlação tem se enfraquecido nos últimos anos. “Nos últimos ciclos eleitorais, temas como segurança e corrupção ganham mais peso na percepção do eleitor, o que torna o cenário eleitoral mais incerto e menos atrelado exclusivamente à economia”, analisou.
Para 2026, Cherman sinaliza que a projeção do Itaú BBA indica crescimento moderado do Produto Interno Bruto, em torno de 1,9%, inflação acima da meta e uma redução gradual da taxa de juros. Ainda assim, o cenário, embora desafiador, não aponta para riscos sistêmicos imediatos, reforçando um ambiente de relativa estabilidade para investidores.
